VALORES RELATIVOS
e
VALORES ABSOLUTOS

 

 

Eram 5:13h de uma madrugada fria. Lá fora, as estrelas no céu anunciavam o quanto de luminescência transmitiam umas às outras em suas andanças pelo que na Terra chamavam órbita. Todavia, a olhos nús Ale Mohamed apenas observava o brilho e a intensidade que cada qual lhe transmitia, como uma criança que olha para um móbile pendurado sobre o seu berço e vê apenas as cores de cada uma das peças do móbile, sem se preocupar com o que prende cada uma das peças e o que gera o movimento que a distrai.

E esta simples colocação deixou Ale Mohamed com uma vontade imensa de transmitir, em seu percurso de vida, o quanto algo é relativo e quanto algo é absoluto, ou seja, haviam valores relativos e valores absolutos que infelizmente o sistema não permitia às pessoas deles tomarem consciência, e
, quando menos esperassem estariam fadadas a terem que redescobrir seus verdadeiros valores ou então viverem sem nem se aperceberem o quanto poderiam ter melhor aproveitado aquilo que Ale Mohamed considerava a verdadeira Vivência Eterna.

Era realmente muito interessante a mensagem que as Estrelas haviam acabado de lhe passar. Fechou a vidraça da varanda suspensa onde sempre que podia observava a MADRUGADA e entrou em seu sótão aquecido pela lareira situada no piso inferior da casa que o abrigava no Santo da Serra, Ilha da Madeira, Portugal.

Sentou-se em sua antiga escrivaninha, e apanhando um lápis começou a apontá-lo para poder escrever o que sentia em seu íntimo e então passar aos outros que viviam, como ele, no Planeta Terra, sabendo quase com certeza absoluta, que os seres dos OUTROS PLANETAS queriam mesmo que ele passasse para o papel aquele ensinamento, aparentemente simples mas de uma profundidade que poderia resolver imensos problemas existenciais, inclusive com ele mesmo.

Ora, se a vivência de uma pessoa lhe demarcara pontos cabalísticos elevados a determinada freqüência vibratória que lhe permitia interagir com todo o Universo, como seria possível esta pessoa conviver com um sistema carcomido pelo tempo onde as formas de se passar as 24 horas do dia por si só estavam comprometidas com algo que em NADA, mas em NADA, colaborava para que cada um dos seres humanos conseguisse entrar em órbita com o próprio PLANETA e sentir a vibração que ele captava em cada micro milésimo de espaço-tempo por onde circulava ???

Assim sendo, na opinião de Ale Mohamed, a maioria da humanidade andava alienada da VERDADE SUPREMA, ou seja, do que era realmente viver no céu, em um planeta que fazia parte de um sistema solar que vagava dentro de uma galáxia e esta por sua vez vagava no Universo, procurando de alguma forma a sua melhor posição em relação a outras galáxias que também tinham vida própria e precisavam se equilibrar na imensa simbiose cósmica e universal.

Este equilíbrio era tão semelhante ao equilíbrio dos átomos que compunham cada ser vivo e tinham uma componente universal tão comum a todos estes seres, que na opinião de Ale Mohamed a própria Ciência tinha que se capacitar, tinha que ser revista para então poder haver algo na Terra que corroborasse a existência de todos os reinos em maior equilíbrio do que até então.

Neste exato momento o escritor, ensaísta, poeta, peregrino das estrelas, homem do deserto e de todos recantos do mundo começou a se aperceber o quanto de repente tudo aquilo que as estrelas lhe haviam transmitido era algo tão relativo, mas tão relativo que em nada poderia colaborar com o que de absoluto seria o amanhecer, onde apenas UMA ESTRELA CINTILAVA NO CÉU e apagava a maravilha da própria madrugada.

O silêncio em seu sótão e em toda volta do Sítio da Relva, onde vivia, era naquele exato momento um dos maiores exemplos de valores relativos e valores absolutos; tão logo o dia começasse a clarear, na estradinha próxima os ruídos iriam começar com os veículos indo e vindo, com as pessoas acordando e seguindo o seu rumo de vida, e, antes disso os próprios pássaros acordariam o dia pois, por instinto, sabiam que o seu cantar trazia a luz do sol e a natureza toda despertava para o que chamavam o novo dia.

Como ele poderia passar o que lhe ia n'alma? Como poderia dizer às pessoas daquele mundo, cercado de água por todos os lados, com uma área terrena de no máximo 1.200 quilômetros quadrados, o quanto havia uma CONTINUIDADE das suas vidas no próprio Oceano, que em suas tangências unia-se ao cosmo via galáxia que o continha, juntamente com outros OCEANOS SIDERAIS?

Próximo havia o Santo da Serra, uma vila com no máximo 6.000 habitantes, os quais viviam em quintas antigas, onde a fauna rural era uma constante, e no centro da vila uma igreja demonstrava um povo católico, que se reunia aos finais de semana para a missa, quando então o responsável pelo RELIGAMENTO de toda aquela população procurava passar os ensinamentos que um Avatar deixara quando de sua passagem pela Terra.


Este Avatar, chamado Jesus, vivera como filho de um carpinteiro de nome José e de sua mulher Maria, que, na história daquele povo muito antigo, fora concebida pelo poder do Espírito Santo.

Ali estava algo que uns poderiam considerar relativo e outros absoluto. O que Ale Mohamed não conseguia compreender era justamente isto: por que tanta separatividade?

Não seria muito mais interessante as pessoas tomarem consciência de que o RELIGARE era desnecessário se todas elas estivessem conscientes da mesma freqüência vibratória que as estrelas passavam naquela madrugada?

Será que ainda se passariam mais 2.005 anos e as pessoas daquele pedaço de Terra continuariam esperando a vinda do AVATAR que tinha sucumbido justamente porque desafiou o sistema constituído à época em que vivera? Um sistema que tinha sido criado por um POVO INVASOR, cujo Imperador exigia que se cumprissem as SUAS LEIS, as SUAS ORDENS, sem nem querer saber se diante dele tinha um Deus ou um mendigo.

 


 

Ale na hora parou de escrever e meditou... O café que ele colocara sobre a escrivaninha, escorria, ele nem se apercebia o quanto aquele néctar tão afro-brasileiro poderia estragar tudo o que escrevera... UM DEUS OU UM MENDIGO... mas que disparate!!! ...Cá...Fé... !!!

Ficou meditando em suas próprias palavras ESCRITAS, e logo, mas logo mesmo, várias interlocuções bateram em seu hemisfério sensitivo... Afinal, quem era o MENDIGO E QUEM ERA DEUS, qual era mais feliz, qual tinha mais oportunidade nesta vida de vivenciar cada um dos seus átomos e do seu próprio conhecimento eterno ???

Nada respondeu, apenas ficou meditando...

Lá longe um cão latia, defendendo o espaço que, em seu universo, ele considerava seu... A madrugada seguia adiante, o planeta girava, o café escorria de uma xícara à moda antiga...

Realmente, haviam valores relativos e valores absolutos... extremos que se atraíam, ...magnética, humana, terrena, cósmica e universalmente...

Ale apagou a luz e foi se deitar. No outro dia iria caminhar, sentir a vida, ver se conseguia compreender melhor o que acabara de escrever...

 

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