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No outro dia,
pela madrugada, Ale Mohamed acordou tão bem disposto, cantarolava
em voz baixa enquanto fazia sua higiene pessoal; foi até
a cozinha, onde um fogão a lenha ainda crepitava pelas
chamas que ficaram da noite anterior, acendeu um pau de incenso,
recolheu-se em si mesmo, sentado na posição da Flor
de Lótus e começou a meditar.

A meditação
tem por objetivo esvaziar nosso cérebro de tudo que foi
sendo acumulado num dia, numa semana, mês, ano, séculos...
Com a prática
deste exercício os Indianos e os Yoguins conseguem trazer
a si um mundo que tem algo totalmente diferente do mundo terreno.
Todavia, quando a meditação é bem feita,
em silêncio, com uma expiração e postura corretas,
o que chamamos aqui de esvaziamento do cérebro, deixa VIR
benesses eternas, dádivas das quais somos mais que merecedores
e que apenas aguardam o momento certo para virem se ENTREGAR aos
seres de luz que somos todos nós.
No livro "Um
Yogue na Senda", de Brian Weiss, este tópico da meditação
está muito bem explicado por Ayuna, um Yogue que esteve
no Vale do Kiriri e comentou as delícias e o prazer da
meditação, em especial em lugares como aquele, entre
1200 e 2000 metros de altitude e ainda com um rebanho de ovelhas.
Os pastores
meditam naturalmente em convívio com suas ovelhas, respirando
ar puro e em sintonia cósmica consigo mesmo e com todo
o universo.
Ale Mohamed
conhecera muitos pastores em suas caminhadas e realmente observara
que eles tinham algo no olhar que ultrapassava este plano físico
e terreno, algo que permitia a eles uma paz de espírito
que enlevava quem com eles conversava.
A figura de
Dórico Paese surgiu de repente a frente de Ale Mohamed,
o bom senhor que cuidava de todo o Vale do Kiriri, e que sabia
estar entregando um legado eterno àquele então jovem
senhor que atravessara os oceanos para ir conhecer os segredos
do Vale mais energizado do Brasil, local sagrado e preservado
para o futuro das gerações.
A boa disposição está relacionada com o que
cada um de nós fez com seu corpo físico, mental,
emocional, espiritual e astral, assim Ale, meditou... ME...DITOU...
Ditou alguém a ele???
Era engraçada
a maneira como brincava com as palavras... afinal, antes eram
símbolos que representavam várias situações
e tinham muito mais fácil interpretação.
No entanto
ao meditar, era como um pássaro que alçava vôo
ao mais alto dos céus. Sentia-se IR... esvaziando o cérebro,
o coração, o corpo físico, enfim, deixando
espaço para que as benesses Divinas viessem ao seu encontro,
mas sem se preocupar com isto, porque na meditação
não devemos pensar. Sermos interrompidos então,
isto é fatal; houveram casos até de morte súbita
de pessoas que estavam meditando por terem sido interrompidas,
o que prova que o espírito daquela pessoa estava muito
distante dali.
Aconselhamos
então, de acordo com os vários ensinamentos que
a Yoga e outros métodos de meditação ensinam,
que cada pessoa que pretenda meditar saiba escolher o local, o
momento e o tempo hábil, sendo aconselhável ainda
que o local seja silencioso, sem interrupções, com
incenso, evitando que seus sentidos entrem em contato com o todo
que a rodeia. Assim os ouvidos, o paladar, o olfato, a visão
e tudo o mais permitem que se esvazie o TODO INTERIOR daquela
pessoa, sem invasões ou interrupções exteriores.
Cada qual tem o seu processo ou estágio de meditação,
tudo dependendo das escolas iniciáticas terrenas, ancestrais
e cósmicas de cada um.
É
bom que leiam a respeito e estudem bem antes de iniciarem qualquer
meditação.
Quando se
fala em uma expiração, é seguindo o ensinamento
do Mestre Manuel Zimbro, que foi discípulo de Hoguen Sam,
descendente direto de Buda, tibetano, e que passou o LEGADO DE
2.500 ANOS a Ale Mohamed quando o mesmo se iniciou nas práticas
do ZEN.

Naquele momento
então em que se sentia tão bem disposto, Ale cumpriu
o seu ritual de meditação. Sempre ele colocava um
pequeno sino ao seu lado, o qual era acionado após uma
hora, para trazê-lo de volta da meditação.
Quando o sino
tocou, ele suavemente foi "voltando" do estágio
entre o transe meditativo e o local onde se encontrava. A lenha
crepitava, fazendo-o retornar ao aconchego do calor natural ao
seu próprio corpo físico, emocional, cerebral, espiritual
e terreno... Descontraiu as pernas, as mãos, os braços,
espreguiçou-se como fazem os gatos, sábios felinos,
olhou a sua volta e sentiu-se muito leve, animado, apto a então
se levantar e começar a preparar o desjejum.
Aquela boa
disposição ele esperara desde o primeiro dia em
que retornara a Portugal. Havia feito uma viagem ao Nordeste do
Brasil, e, ao chegar, o choque térmico o tinha deixado
de rastros, pois seu corpo físico se ressentira com a baixa
temperatura que ocorria no aeroporto de Lisboa. Vinha ele de uma
temperatura de 38ºC e ao descer do avião, o impacto
para 6ºC fez com que sentisse os próprios neurônios
congelando, como água dentro do congelador.
Curiosamente,
dois dias depois ocorreu a catástrofe do tsunami na Ásia,
Índia...
E passaram-se
vários dias, meses, para que Ale Mohamed recuperasse aquele
estado de Alma, de Espírito, de Corpo Físico bem
disposto.
Ele sabia
o quanto era um RECEPTOR e um TRANSMISSOR e o quanto estas descargas
terrenas eram prejudiciais para o Todo Planetário. Todavia
ele também conhecia a lei da ação e reação
e tinha perfeito conhecimento que tudo estava se equilibrando
à maneira que a NATUREZA encontrara para não permitir
que todo o Planeta ficasse novamente submerso ou explodisse mesmo,
pelos descalabros que os humanos praticavam contra a Mãe
Terra.
No fundo,
no fundo, Ale Mohamed sofrera por todas aquelas almas que desencarnaram
e ainda estavam em sua grande maioria perambulando por entre os
escombros e as cidades destruídas, além, claro,
dos que ficaram, e que nem sabiam como se recuperar de tão
grave acidente.
Ale lembrou-se
de todas as guerras e também da UNIVERSIDADE DA PAZ, que
foi criada por Pierre Weill, para que os humanos, principalmente
os do Ocidente, compreendessem afinal que a PAZ é baseada
na Ecologia Pessoal, Social e Planetária.
Uma longa
caminhada que iria dar seus frutos, como já dera no Japão
e na Costa Rica, onde nem exército havia.

De uma longa
caminhada também acabara de chegar Ale Mohamed, vindo do
transe da sua meditação para o seu recanto em Santo
António da Serra, Ilha da Madeira, Portugal.
Sabia ele
que várias pessoas iam aparecer para iniciarem o Sei-Chin,
ou meditação em forma de um retiro que durava em
média 15 dias. Estas pessoas sabiam o quanto era importante
guardarem certos dias do ano para este recolhimento e introspecção
consigo mesmas e com todo o universo. SILÊNCIO, SILÊNCIO,
SILÊNCIO.
Os sinos de vento tocaram, sinal que a sincronia estava perfeita
e que o ambiente também fora beneficiado com aquela meditação.
Os pássaros cantavam amanhecendo o dia.
Ale colocou
mais lenha no fogão, preparou o chá, e subiu para
o sótão a fim de escrever sobre tudo aquilo que
presenciara e que lhe permitira sentir em relação
ao seu Bem Estar... Estar Bem...
Agora, o mais
importante era ele saber conservar aquele estado de espiritualidade
e sincronia com o seu TODO, humano, terreno, cósmico e
universal.
Curiosamente,
o grande segredo estava justamente em não se pré...ocupar
com nada, e sim deixar com que o fluxo da vida e da temperança
o levasse assim como a todos que viviam no planeta Terra. Algo
que sabia ele aos poucos iria se equilibrando, e isto ele observou
muito bem no arquipélago onde estava vivendo e para onde
foi em busca de Atlântida.
Uma outra história que fica para uma outra vez... pensou,
enquanto remexia nos papéis que ficavam sobre a sua antiga
escrivaninha.
Ali acontecia
a Alquimia entre o Eterno e o Aqui e Agora, e só mesmo
Ale Mohamed para descodificar tudo o que ali se acumulou durante
muitos anos da sua existência. O VERBO APRIMORA A VIDA...
pensou. Começou a pensar, algo que dificilmente conseguia
fazer, pois costumava dizer: se penso, fico penso, desequilibrado...
Um outro tema que ele precisaria desenvolver, para si mesmo, afinal
tantos e tantos gostavam tanto de pensar...
"Você
pensa rápido demais!" dizia seu Mestre Jorge Martins.
Será que pensava ou recebia os INSIGHTS que vinham ter
com ele???
Se realmente
nunca havia se preocupado com as coisas materiais, e elas sempre
vinham ao seu encontro de uma maneira tão natural, algo
havia nele que o diferenciava dos demais, pois afinal eles passavam
a vida pensando em como adquirir bens materiais...
Coringa suspirou
aos seus pés. Havia subido a escada para o sótão
e se recolhera aos pés de seu grande amigo, e seu suspiro
parecia dizer: "Vai começar tudo de novo!"
É isto mesmo tudo está interligado, e o recomeçar
é tão natural, tão simples, que nem deveríamos
chamar recomeçar. Eternidade, isto sim!
Um momento
eterno foi aquele, do suspiro de Coringa, o qual, por instinto
já sabia o que estava no AR.
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