vista da Ilha da Madeira

 

 

ELEMENTAIS DO BEM ESTAR

 

 

Ale Mohamed percebeu o suspiro de Coringa, olhou para ele que, adormecido, continuava ali ao seu lado e ficou lembrando há quantos e quantos anos tivera seu primeiro cão e depois todos os outros que vieram e se chamaram CORINGA...

Lembrou-se também que o seu primeiro CORINGA, era um Dinamarquês, preto, enorme, que lhe deu imensas alegrias, até o dia em que Ale contraiu uma doença que, para a medicina, era incurável, e levaram Coringa para a fazenda.

A doença, aí sim, tomou conta de todo seu ser, mas, apesar da distância (70 km) Coringa voltara da fazenda. Imaginem um cão percorrer uma distância de 70 km, entre cidades, vilas, matas, entrar em uma cidade como São Paulo, nos anos 50, e ainda encontrar a Quinta onde vivia seu amado amigo e dono, Ale Mohamed...

Quando a família o viu de volta, ao lado da cama do filho, nem mais comentou nada. Afinal, havia ali um elo muito mais forte do que poderia imaginar a vã filosofia de cada um, e assim, sempre que Ale tinha um cão seu nome era Coringa.

 

E aquele suspiro então, elevou mais ainda o bem estar do escritor e pesquisador, o qual então ficou imaginando o quanto os elementais têm muito a ver com o BEM ESTAR das pessoas e de todo o planeta Terra.

A água pura, a terra sadia, o ar que respiramos, o calor do sol, que é a representação do fogo, e no Oriente, também os metais, são considerados elementais...

Viu então Duendes e Fadas, Druidas, que vinham ao seu encontro demonstrando o quanto sempre houve um equilíbrio imenso entre os elementais, para que os reinos, mineral, vegetal e animal também se equilibrassem.

Naquele instante em que se sentia tão bem, ele daria tudo o que fosse possível às pessoas para lhes mostrar que sentir-se assim, tão bem disposto, tem a ver com coisas tão simples de se fazer e de se praticar, que até parecia difícil elas acreditarem o quão simples é encontrarem a felicidade dentro delas mesmas.

 

Abriu a janela da varanda e percebeu o quanto de bruma havia espalhada por toda a floresta que cercava sua casa na montanha. Respirou o ar frio da manhã. Era um dia invernoso, e a bruma, o orvalho, o cantar dos pássaros, o sol que vinha surgindo lentamente por entre as brumas, o verde dos pinheiros, a terra úmida, a brisa fria mas saudável, enfim, a natureza ali a sua volta parecia lhe dizer:

"Por entre as brumas, nascerá um novo dia, repleto de luz, de paz, de amor e natureza!"


Mas Ale Mohamed não se convencia só pelo olhar, pelo ouvir, pelo sentir, e sim pelo que havia também dentro dele e que o fez sentir-se tão bem, depois de vários meses entre o bem e o mal estar. A angústia que o atormentava, que não tinha a ver apenas com o que ocorrera na Índia ou Ásia, mas algo que o estava atormentando intimamente: o que será que viria pela frente e que estava no ar a convocá-lo à MEDITAÇÃO e ao RECOLHIMENTO???

Lembrou-se de muitas coisas que poderiam ter criado aquele estado de espírito, mas tinha certeza que não era nenhuma delas, nem mesmo o estado de saúde de sua Mãe, tão distante. Era algo muito além do plano Terra e agora, que acordara tão bem disposto, pretendia colocar toda a energia concentrada na sua percepção extra sensorial, para então tentar compreender o que seria que estava no ar durante tanto tempo...

O AVATAR… O AVATAR... O AVATAR... a frase repercutia em sua cabeça...

Seria então a vinda de outro AVATAR???


Mas, no silêncio do seu sótão, ouvia vozes vindas do Éter a lhe explicarem o quanto os elementais tinham a ver com O AVATAR, ou seja, o quanto as pessoas que se afastavam da natureza também se afastavam da mensagem cósmica que todos os Avatares já haviam passado aos habitantes da Terra.

Uma grande verdade. Se a natureza ali fora, na sua varanda, revelava um imenso equilíbrio, de que forma seria possível no meio de uma grande cidade as pessoas encontrarem o mesmo equilíbrio???

Lembrou-se de cidades que conhecera pelo mundo afora, em que durante toda a semana sua gente corria de um lado para outro atrás de seu modus-vivendus, em meio à poluição visual, sonora e atmosférica, convivendo com um ambiente ANTI-NATURAL, buscando o que os sustentava e a suas famílias. Sem se aperceber do quanto, por mais que fizessem, tinham imensas dificuldades em sentirem-se plenamente felizes. O lado material da vida os havia consumido de uma maneira tal que ADORMECERAM SEUS ELEMENTAIS.


Aos domingos, aquelas cidades, em geral, pareciam cidades fantasmas, abandonadas, sem gente pelas ruas ou avenidas, sem mesmo ter um bom lugar onde as pessoas pudessem ir se divertir ao ar livre ou um bom restaurante. Eram cidades onde as pessoas davam o que de melhor tinham durante 6 dias da semana, para no domingo deixarem até de sair, apenas para descansar.

E eram muito poucas as que podiam ir para o campo respirar ar puro, beber água pura, sentirem a vida dentro e fora delas.

Curioso o que havia acontecido com a humanidade... Se aglomerara nas grandes cidades e abandonara o campo, a vida saudável e a integração com os elementais...

Por este motivo os hospitais estavam apinhados de pessoas com moléstias de várias espécies, pois o corpo físico ia se ressentindo devido ao próprio espírito não conseguir conviver com aquela balbúrdia insana e sem razão nenhuma de ser.

Razão... Afinal o que é a razão???

Em matemática, a razão era o que se interpunha entre dois números para que, somando ou multiplicando, se chegasse a um denominador comum, fosse somatório ou multiplicador...


Lembrou-se mais uma vez do seu MESTRE de Mecânica Celeste, Jorge Martins.

O Universo é todo Matemático, tudo exatamente correspondente a cada momento universal, cósmico, sem tirar nem pôr.

Mas a razão humana tinha que ser aquilatada por vários fatores que não apenas matemáticos, e estes fatores é que condicionavam as pessoas a irem se adaptando a um novo modo de vida e, mesmo sabendo que era um modo de vida destrutivo, elas lá estavam, enfiadas no tal sistema que em nada somava ou tinha razão de SER.

Apenas conseguiriam uma explicação do porquê estarem vivendo assim, com tantas terras abandonadas, sem ninguém a plantar, a colher, a vivenciar a riqueza que a terra, o mar e o próprio ar lhes propiciava, caso realmente parassem e meditassem.

Os pescadores foram companheiros de um Avatar, JESUS.

Os Yoguins ensinaram a outro Avatar, GANDHI.

A floresta doutrinou outro Avatar, SIDARTA.

E este foi o que demonstrou para si mesmo: "nem tanto ao mar, nem tanto à terra!"

O caminho do MEIO, este era o mais correto.

 

Então, Ale Mohamed havia se sentido tão bem naquele dia justamente porque conseguira encontrar dentro de si mesmo O CAMINHO DO MEIO.

O tutano era a demonstração da Terra, que gerava através do cálcio a sua estrutura óssea.

A alimentação eram os vegetais que tanto lhe equilibravam o seu lado verde, dentro dele mesmo...

A água pura, que lhe fazia imenso bem, e limpava principalmente seus rins e seu pâncreas, órgãos importantíssimos para a purificação de tudo o que ele consumia em sua alimentação...

O calor do fogão à lenha, e mesmo o da lareira, equilibravam o exterior com o interior em meio às baixas temperaturas daquele período invernoso...

A PAZ INTERIOR foi o que mais contribuiu para atingir aquele estágio, algo que alcançou graças ao seu recolhimento, saindo da cidade, fugindo mesmo do burburinho das negociatas, dos veículos, do dia-a-dia desenfreado que as outras pessoas viviam como se fosse o motivo maior das suas vidas.

Cada povo com seu uso, cada roca com seu fuso, pensou.

Além de tudo isso, a satisfação em poder corresponder às próprias expectativas no campo da comunicação, da investigação e de tudo o mais que ele praticava em prol da sua vida pessoal, social e planetária...

Cientificamente Ale Mohamed poderia se aprofundar muito mais em tudo aquilo que vinha à sua mente para responder aos motivos que o deixaram tão bem disposto, mas, a sua experiência mostrara que na vida o ESTAR CIENTE é o maior denominador comum da chamada Ciência. Ficou então ciente e se tranqüilizou.

 

Apagou a luz do sótão, deixou a luz do sol adentrar tudo, sorriu para as fotos que estavam espalhadas pelos vários cantos daquele seu espaço existencial. Nelas, toda uma vida se descortinava e a eternidade se juntava nos momentos em que o clique de uma máquina fotográfica registrara quantas e quantas andanças já tivera aquele jovem eremita.

Um pesquisador nato, que em nada se assemelhava aos cientistas, mas que no fundo, no fundo, ia tomando conhecimento da VIDA, de uma maneira tal que nem mesmo os cientistas em geral podiam mais sentir. Tocou com sua mão enrugada a madeira antiga da escrivaninha. Estava viva, era elemental... Vegetal que se doou e que ele guardara anos a fio, pois sabia o valor que ela tinha enquanto elemental vivo a lhe dar suporte enquanto escrevia. O mundo sintético, este não era o mais adequado ao ser humano. Por mais que os povos do mundo dissessem que o sintético veio para preservar as florestas e tudo o mais, Ale Mohamed sabia que sintetizar era, nada mais, nada menos, do que interromper o verdadeiro caminho para a Eternidade...

Em síntese, era isto. Se até os alimentos eram sintéticos, como seria possível alguém encontrar a VERDADEIRA FELICIDADE se todos somos filhos do universo e dos seus elementais???

"Elementar meu caro Watson...!"

Chamou Coringa, seu fiel companheiro, foi até a cocheira, encilhou Sereno e foi cavalgar. O vento frio, a natureza, tudo a sua volta cintilava por entre as brumas, como se ele estivesse atravessando as nuvens e indo em direção ao céu, onde o planeta todo repousava, girando sobre o seu próprio eixo e sendo levado pela galáxia para outros planos universais, planos estes que traziam a NOVA ERA...

 

 

Numa cidadezinha litorânea do sul do Brasil, Itapema, o seu amigo Stalin Passos sorria. Estava feliz, pois sentia que o seu Irmão Cósmico, Ale Mohamed, estava novamente em sintonia com o Universo, o que em muito auxiliava a caminhada de todos na Terra.

 

"Ah... se todos soubessem se doar em meditação, como se faz nos templos eternos de Salomão!" pensou Stalin Passos...

Numa mesquita, na cidade de Bagdad, começava a MEDITAÇÃO entre o Povo eterno do Islão, terra onde Maomé profetizou tudo o que estava acontecendo. AGORA… no planeta Terra, outro Avatar.

Na televisão o Presidente dos Estados Unidos anunciava a possibilidade de uma nova guerra, enfim, ...cada povo seu uso, cada roca seu fuso...

 

Nunca mais Ale Mohamed ficaria confuso. Seguiria os seus instintos, orientado pela força dos elementais, fora e dentro dele...

Shalom!!!

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