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Era o ano
de 1999. A Universidade vivia um clima de intensa energia. Os
jovens discípulos e seus Mestres haviam superado situações
quase intransponíveis, tanto no que diz respeito às
lutas pelos novos meios de pesquisa quanto à maior adaptação
das novas Universidades, num contexto considerado arcaico de um
passado bem recente. Os dogmas, tabus e tradições
impostos pelos antigos controladores do sistema como um Todo,
estavam dando lugar a um povo mais aberto, mais descontraído,
mais ávido do SABER
.
Ale Mohamed
apanhou seus alfarrábios, juntamente com o seu computador
de bolso, despediu-se do Mestre Jorge Martins e dos seus colegas
mais próximos, indo em seguida apanhar o Metro. Lisboa
estava vivendo momentos de imensas mudanças e a Expo 98
chegara ao fim, deixando um imenso vazio na vida da cidade que
fora toda preparada para a Exposição Mundial
Universal
Oceânica
Ao descer
as escadarias do Metro, lembrou-se do último dia da Expo.
O Benfica ganhara
A superlotação do espaço
Expo 98, foi uma loucura quase plena, os jovens desencadearam
uma catarse jamais vista em Portugal
LAVARAM A ALMA.
Chegou
à Estação do Cais Oriente e as cúpulas
iluminadas entre os acrílicos e aço pareciam uma
imensa NAVE que ali aportara aguardando o momento exato da partida.
Uma
cigana descia a escada rolante em sentido contrário ao
seu. Olhou-o profundamente
Esse olhar levou Ale Mohamed
a uma cidadezinha do litoral brasileiro, construída pelos
portugueses no século XVII

A Praça
da velha e bela cidadela estava vazia. Na noite anterior houvera
o Festival de Cinema
Ale Mohamed havia sido convidado por
um grupo de amigos para apresentar um monólogo
eles
o acompanhavam com flautas, violão, cavaquinho
vozes
.
Um dia, em minha montanha, lá pelas quatro horas da manhã
ouvi gritos e pragas que me trouxeram de volta do mundo dos sonhos.
Ao abrir a pequena janela do rancho em que vivia, ainda sonambulescamente
pude ver alguns homens próximos da árvore de canela
que ali existe, e eles atiravam paus e pedras contra a ramagem
da imensa árvore que crescera à beira do Rio dos
Peixes e abaixo da Montanha que ali iniciava o seu Crê
SER
em direção aos céus
Eu, sem compreender muito bem o que estava acontecendo fui permitindo
a minha visão clarificar e juntamente com a luz do Luar
ouvi alguém dizer:
"Ela comeu os três filhotes!" gritara
um dos homens
Só
então me apercebi que uma cobra cajarana subira pelo tronco
da Canela e foi em direção ao ninho do sabiá
preto que toda madrugada amanhecia o dia e a
cor
dava-me
.
Encantava-me.
Saltei pela pequena janela, fui mais próximo da turba ignara
e humana para então perceber a sabiá fêmea
atirando-se contra a cobra tal e qual um Kamikase
suicida
O sabiá macho voava desesperado em circunferência
e os homens continuavam a agredir de várias maneiras a
cobra que parecia não sentir nada
"Serpente"
"Bicho de Satanás"
"Víbora"
Eram as mais suaves imprecações que ouvira daqueles
que se julgavam os donos da Natureza, da Vila Piscatória,
dos Barcos e do Mar onde pescavam...
Ali bem
perto havia uma aldeia de Índios Tupy Guaranis. Nenhum
deles havia participado na guerra contra a serpente
Ao ver
que seria quase impossível parar aquela escaramuça,
subi a Montanha, chorando e perguntei à Minha Mãe
Lua, por que ser assim?
E Ela me
respondeu:
"Vá e pergunte aos homens!"
Desci a
Montanha e fui lentamente chegando até à Aldeia
dos Tupy Guaranis
Haviam uns que se preparavam para irem
à pesca
pescavam de canoa, e com um arpão
feito de madeira da canela, muito rígida e forte
Na ponta havia uma fisga para poder fisgar o peixe.
Ao longe
avistei Eugênio
um nome dado pelos brancos a um Tupy
Guarani que fora batizado
Contei-lhe tudo o que vira e ouvira
e ele me respondeu:
"Quando o Homem encosta a mão nos ovos, a cobra
vem e come os filhotes!"
Agradeci
seus sábios ensinamentos, despedi-me e saí da aldeia
muito mais triste do que entrei
Saí da Taba um tanto
atônito, subi a Montanha e fui perguntar ao Sol que amanhecia
o Dia, desta feita sem o cantar do Sabiá Preto
Então,
entre uma lágrima e outra, salgada tal e qual o sabor Mar
eu perguntei ao meu Amigo Sol: por que ser assim?
E ele ainda
amanhecendo
o amanhecer, respondeu com sua Luz nascente:
"Meu Filho, a Mãe Natureza se preparou para
receber todos os seres que com ela hoje convivem
até
que se aprimorou mais ainda para receber o SER HUMANO, livre,
solto, forte e belo
E assim como ela o quer livre, solto,
forte e belo, quer a todos os seus filhos
Então prefere
que a cobra venha e coma os filhotes do que os homens os tenham
presos só para ouvi-los cantar!"
Neste exato
momento nasceu esta canção:
"Bom
dia meu amigo Sol, eu quero te cumprimentar,
andava pelo mundo a sós, queria simplesmente amar,
agora você está à direita,
mais tarde você está à esquerda,
a tudo você enfeita,
não existe nenhuma perda
E quando anoitecer,
se a Lua não aparecer,
não fique triste, oh Sol, não
Vá iluminar o Japão,
pois a Lua é dos Poetas, a grande inspiração,
no céu ela é uma Festa, que faz bem ao coração."
A Igreja
de Santa Rita, que havia se transformado no espaço do Festival
de Cinema de Paraty, estava repleta de pessoas que aplaudiram
o Ermitão da Picinguaba, nome que as pessoas deram a Ale
Mohamed por ele viver dois anos isolado na Montanha da Picinguaba.
Naquela
manhã em Paraty, Ale Mohamed encontrou-se com uma Cigana
ela
também o olhou no mais profundo dos olhos, pediu-lhe um
minuto da sua atenção e ele a atendeu
"Você irá viajar muito, atravessará
os Oceanos
e descobrirá um Mundo Novo em um Velho
e Antigo Mundo
onde quase nada mudou!"

A Cúpula
mais ao norte da estação do Oriente do Metro de
Lisboa, agora estava com a tonalidade violeta
Saint Germain
pensou Ale Mohamed

Dez anos
se passaram desde a pequena cidade no Mato Grosso onde havia ido
para implantar uma emissora de televisão, colaborar na
maior FEIRA AGRO PECUÁRIA DA AMÉRICA DO SUL e ainda
editar um jornal de nome Presença Popular, com mais de
100.000 exemplares distribuídos por todo o Mato Grosso
A Feira Agropecuária atraíra gente do mundo e do
Brasil inteiro. Com muitas atrações campesinas,
pecuárias, cavalos puro sangue, touros, parque de diversões,
cantores, culinária típica de várias partes
do Brasil, muita gente e muita animação
Ali
ele conhecera Maria Gabriela, a Madeirense que o levaria através
dos Oceanos
1990,
Ilha da Madeira
1998, Lisboa
1999,
O Avatar!
Seria
o Avatar uma Tese ou seria um estudo apenas, ou ainda, seria uma
Profecia???
Em 1979
acontecera Picinguaba... Abandonara o mundo das evoluções
materialistas
chegara ao cargo mais cobiçado de uma
Multinacional Americana
e após abandonar tudo,
a
MENSAGEM CHEGOU
O CHAMAMENTO.
E por que Eu?
Sempre
se perguntara isto, até que em um Curso ZEN, ao receber
um legado que tinha 2.500 anos, vindo diretamente do Tibet, que
lhe fora entregue por um descendente direto de Buda Mestre
Hogan Sam ao perguntar por quê só ele fora
merecedor de receber o legado, o Mestre sorriu e nada disse
Ale
Mohamed compreendera que nunca mais perguntaria. Aceitaria e agradeceria
Este era o caminho (avatar).

Dirigiu-se
ao aeroporto onde iria apanhar um avião com destino ao
Porto
Gabriela o aguardava
Seguiram
viagem em um vôo com destino a França, com escala
no Porto. A polícia de fronteiras quase nem o deixara embarcar,
apesar de estarem em espaço Sheguem, onde todo cidadão
residente na Europa tem livre trânsito
Quantas barreiras
os seres humanos criam na sua própria Terra
Em seu
íntimo os códigos de acesso à força
da criação também iam se complicando
O que seria necessário se fazer para que a carga humana
ficasse mais suave?
Será que a anunciada NOVA ERA iria trazer alguma luz a
tudo isto?
A viagem
a bordo do vôo da Air France foi bem rápida, o Air-bus
completou-a em reduzidos 53 minutos entre Lisboa e Porto.
Para variar,
Ale Mohamed escreveu durante o vôo e o que escreveu estava
relacionado com o trabalho de Margarida Martins, responsável
pela Fundação Abraço que cuidava dos pacientes
que haviam contraído o vírus da AIDS.
Quando
entregou o que escreveu à valente lutadora na luta contra
esta praga do século XX percebeu que deveria colaborar
com a causa, deveria abraçar esta causa
Gabriela, que o acompanhava, sabia que as férias prometidas
seriam sempre com envolvências em situações
e responsabilidades que Ale não conseguia deixar para amanhã
Houve épocas
em que ela teve que ser bastante incisiva com ele, pois a sua
estada em Picinguaba e suas "viagens" através
das evoluções, involuções, regressões
e ascensões cósmicas haviam dado cabo de todos os
tabus, preconceitos, dogmas terrenos e o colocado em um plano
acima do plano Terra, e assim, às vezes envolvia-se com
algum excesso de generosidade no problema dos outros. Como se
soubesse a solução
sem se preocupar consigo
próprio, doando-se de uma maneira tal que chegou a ficar
sem comer e sem dormir para acudir pessoas que nunca vira, pelo
período de quase um mês.
Gabriela, com a sua formação de Médica Veterinária,
origem Madeirense, vivendo trinta anos no Brasil, compreendia
muito bem o coração de Ale Mohamed
comparava-o
a Carlos Castanheda
que conhecera Don Juan, um Índio
com conhecimentos profundos dos mundos esotéricos e dimensões
paralelas
Ale considerava-se
um ser humano comum, como outro qualquer e assim era bastante
difícil alguém conseguir travá-lo nos seus
anseios de ver o mundo à sua volta mais saudável,
mais feliz, mais solidário e mais autêntico, integrado
ao Cosmo e à energia Vital que emana de todos os seres
do Universo sem distinção deste ou daquele. Bastava
olhar para o céu e via-se as estrelas com um brilho semelhante
O PIOR CEGO É AQUELE QUE NÃO QUER VER
A Cidade
do Porto o encantou e logo que chegou ao Hotel Castor, na Cidade
do Porto, foi procurar uma lista telefônica para encontrar
o nome de algum Ancestral
A busca
da sua ancestralidade era latente e constante
Seus traços
fisionômicos eram bem vincados ao árabe. Testa larga
e alta, moreno, estatura mais para o alto, ombros largos, tórax
de remador, fartos bigodes, pernas fortíssimas, olhos negros,
muito cintilantes e vivos
Com a idade ia se tornando de
cabelos grisalhos e a barba mais ainda
O peso um pouco acima
da média para a estatura que tinha, adorava sorvetes e
doces, mas mantinha uma grande agilidade e força física,
mental, emocional e espiritual
Emanava Fé!!!
Nadava
muito bem e adorava andar a pé em montanhas, vales, florestas,
beira-mar

Ale, você não vai jantar? não tem fome?
Acordou
de sua busca antropológica e ancestral, olhou para Gaby
que o chamava e estava já com trajes mais adequados para
o frio que fazia no Porto.
Era loura,
alta, olhos cor de mel, pele clara, seios firmes e uma elegância
descontraída, seus cabelos semi encaracolados caíam
sobre os ombros em suaves ondas.
Ali à
sua frente, na cidade próxima das suas origens Lusitanas,
encontrava-se a mesma figura que a sua Montanha lhe havia anunciado
muitos anos atrás
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