PRETO NO BRANCO

Amanheceu o dia e ao que parece o sono tomou conta do nosso amigo escritor. Maria Gabriela, sua companheira de todo o sempre, Madeirense, que o havia conhecido em pleno Pantanal, já havia a...cor...dado.

Cantarolava, significando isso que até o café da manhã já tinha tomado, porque não gostava de cantar em jejum. Costumava dizer que a sua avó materna, Mathilde Hilária Pita, lhe dizia que não era bom cantarmos em jejum... Isso significava que o dia já ia alto, e Ale Mohamed por algum motivo permanecera no mundo dos sonhos...

 

Foi isso mesmo o que aconteceu. O sexagenário pesquisador naquele dia ficara envolvido com os seus sonhos mais profundos onde, começou a se lembrar, a figura que lhe haviam enviado da Starchild - uma instituição da África do Sul interessada nos estudo das Crianças Indigo e Cristal - entrou pelo seu imaginário e ali foi sendo interpretada, devagarinho, até a completa interação entre a figura artística e o espírito do escritor que era o próprio Ale... O mesmo Ale que tinha sua amiga Ila, do planeta Urânia, a lhe explicar a respeito de como tinham por missão o alinhamento de várias galáxias e que então voltar para a Terra era algo que não estava ainda na hora. Afinal, muitas tarefas tinham pela frente.

Esta afirmação de Ila, também durante o sono (ou sonho) de Ale, deixava-o meio sem rumo quando voltava ao plano Terra encarnando o escritor e pesquisador.

Assim, o universo conspirou para que ele mesmo, a...cor...dando..., conseguisse ver com olhos terrenos o que se passava no cosmo e na energia cósmica dos seus próprios sonhos.

 

A imagem da figura que seu amigo José enviara o deixava embevecido, repleto de uma luz interna indescritível.

Uma sensação que lhe permitia tirar várias conclusões... E cada qual a mais interativa em relação ao que ele mesmo imaginava em termos do Todo Cósmico e Universal, aonde os átomos iam assumindo formas visíveis e invisíveis, que dificilmente na Terra alguém conseguiria representar e, se conseguissem, seria porque estavam conectados ao Primeiro Átomo Vivo que construíra todo o Universo. Quanto a isto Ale não tinha dúvida nenhuma.

 

Saiu da cama e fez sua higiene pessoal, os anos já dando mostras de que a vida se lhe passara muito rapidamente, mas em nada se comparava à maioria dos que tinham sessenta ou mais anos. Apesar da idade, ele ainda sentia-se bem jovem interiormente e, claro, tudo era prova da ressonância da espiritualidade e a total integração que conseguia manter com seus átomos primeiros, depois com os átomos imediatamente a seguir, o seu corpo físico, e daí por diante.

 

Agora, imaginem que maravilha é vocês tomarem consciência disto: seus átomos, sua existência e a existência do Universo, tudo integrado sem nenhuma separatividade. Realmente era algo imenso e profundo, que Ale foi aos poucos descobrindo. Na essência, e não apenas na teoria, pois se desde 1979 ele já havia comprovado tudo isto, ou seja, se desde o século anterior ele já se apercebera de tudo isto estava mais do que claro e evidente que não era apenas teoria. Muito pelo contrário, pois até à pseudoloucura chegou, chocando seus próprios familiares.
Ele extrapolara o conceito social, colocando em risco a imagem que as pessoas poderiam ter da própria família, permitindo que os preconceitos e tudo o mais alijasse deles próprios a maravilha que é vivermos integrados universalmente e não apenas terrena e humanamente.

 

Ale não via a hora de subir ao sótão e rever a imagem que José lhe havia enviado pelo correio. Ao sair dos seus aposentos, seguiu pelo imenso corredor daquele casarão, adentrou a cozinha, onde o fogão a lenha já crepitava há horas, e dava através das chamas um ar de purificação e aconchego, a mesa toda posta, preparada com todo esmero por Maria Gabriela, o rádio tocando músicas suaves.

Um toque divinal no ar. Dentro e fora de Ale tudo estava tão bonito e luminescente que ele se sentia levitar... Nem se apercebera que estava sem os chinelos, descabelado, com água ainda a escorrer por sua testa.

 

Sua amada havia saído para o imenso jardim que se unia ao bosque de pinheiros. Ela brincava com Coringa, Xandy, Harry, a gata Menina e o gato Zé. Cães e gatos, todos juntos a brincar, só mesmo ali... Tudo harmonia atômica, inserida na verdadeira simbiose cósmica que é permitida aos seres que tiveram suas energias volatilizadas de forma natural e sem barreiras entre os vários corpos que formam os filhos do universo…

 

Que grande verdade, pensou Ale.

Quantas máscaras usam os seres humanos através da indumentária, da estética, da posse, do consumo, e tudo o mais, não se permitindo ir desanuviando tudo isto em forma Global, Solar, Cósmica e Universal...

Pela vidraça ele a via, brincando, e lembrou-se aos poucos de como foi o seu encontro em pleno Pantanal. Seu reencontro desde a última morada, URÂNIA, um olhar, um sorriso e a confirmação de que nova...mente… iriam singrar caminhos eternos... ...e...ternos...

Da parte dela, mais ainda, pois ela era toda ternura. Ele, na ocasião vinha da Amazônia e havia tido no passado revezes pessoais, sociais e terrenos que o testaram de tantas e tantas formas que realmente não tinham nada a ver com aquele sexagenário que pela vidraça sentia as brumas de Avalon se decomporem para dar lugar a um quadro maravilhoso de harmonia e serenidade eterna. Só testemunhar isto já era um imenso tesouro, e se calhar, era apenas isto que ele gostaria de passar aos seus amigos do planeta Terra.

O crepitar das chamas na lenha de Acácia tirou-o daquele transe.
Através do vapor de ar quente que se diluía na vidraça, a imagem de Maria Gabriela a brincar com seus amiguinhos terrenos, o bosque de pinheiros e as montanhas circundantes encobertas foram surgindo gradativamente entre as brumas, e o LAR, algo que só mesmo a ETERNIDADE poderia mostrar à maioria dos seres humanos... Afinal o Universo é o nosso LAR e, transferir isto paulatinamente desde sempre, até ao Aqui e Agora, era tão fácil, tão simples, tão natural...

Apanhou uma xícara das grandes sobre a mesa, colocou café, leite puro tirado na hora, ou seja, ao amanhecer, pão frito na manteiga feita ali mesmo em Santo António da Serra, e mel para adoçar, pois o diabetes tinha que ser controlado.
Apanhou tudo e subiu ao sótão para admirar a figura que em sonho havia sido por ele interpretada. E por ela, o interpretado fora ele...

Em ter preta ação... Preto no branco, clarificação, trevas e luz...

 

"...não te atrevas a começar tudo de novo!"

Ouviu a voz de Pai José de Aruanda, a lhe falar aos ouvidos...
Uma entidade Africana, que lhe lembrou que José também estava na África do Sul, onde Nelson Mandela era o Presidente e conseguiu, mesmo sob uma pena de prisão perpétua, libertar seus conterrâneos da submissão imposta pelos ingleses... A Starchild ficava lá, na África do Sul...

No rádio, Beth Carvalho cantava "Meu Homem!", uma homenagem a Nelson Mandela.

 

Ale nem se apercebia desta sincronia cósmica e terrena. Até a música na rádio falava do que ele estava pensando... ou, se calhar, nem pensava, apenas seriam insights... luzes que iam e vinham, em conexão com sua glândula pineal, hipotálamo, hipocampo.
MATRIX... unidos ao seu coração brasileiro, com tantas misturas sanguíneas que realmente tinha que ter uma raça apurada, como dizia a veterinária, e grande amor da sua vida.

Abriu o envelope em que estava a carta que José lhe enviara da África do Sul, foi tirando novamente a figura desenhada e aos poucos voltou para o sonho, ou seja, permaneceu conectado como sempre estivera em estágio Alpha, Betha, .................Ómega.

Prometeu a si mesmo que aquela figura estaria no livro O AVATAR, pois traduzia uma série de mensagens que ele mesmo já recebera e já escrevera, até citara em palestras, programas de rádio, televisão... No entanto, nem todos conseguiam compreender a magnitude dos estágios Atômicos.

Infelizmente, o mundo estava fadado a uma seqüência de fatos em nada abonatórios no que dizia respeito aos governantes, às instituições religiosas, à política, ao mercado internacional, ao meio ambiente, educação, saúde e tudo o mais.

Todavia, ele era apenas e tão somente um escritor... um simples escritor. Tudo o mais que a vida lhe propiciara antes fora, justamente, para um dia conseguir transferir para o papel à sua maneira, o que sentia que poderia ser aprimorado, até porque ele mesmo muito tinha ainda a compreender.

Deixou-se levar e se enlevar para a figura que pairava sobre asas douradas, tendo um Globo de Cristal cintilante acima, golfinhos que desciam em direção à Terra, um fundo azul celestial. Um dos golfinhos, com asas prateadas, um lusco fusco entre o violeta e tantas outras cores maravilhosas, e uma concha, que acolhia o planeta Terra e tudo o mais que estivesse acima ou abaixo da sua abóbada, como a demonstrar imensos universos se encontrando na simbiose atômica de cada seqüência vital...

Ale deixou-se levar, e comprometeu-se que no livro O AVATAR não faria grandes relatos sobre a figura, pois cada qual a interpretaria a sua própria maneira…

Seria melhor assim... pensava.

 

O Vento veio despertá-lo, fazendo com que a porta entre o sótão e a varanda balançasse e trouxesse um reflexo de luz solar para dentro do sótão.

Olhou a sua volta, parecia-lhe ver a figura volatizada ali dentro... Voando, trazendo benesses que alegravam mais ainda o seu viver.

"Ah!!! Se eu pudesse passar isto aos humanos e a todo o planeta Terra!"

 

De dentro da figura surgiu uma outra figura, agora com forma humana, que estava justamente dentro do Globo de Cristal, circundado por várias estrelas. Era como um sol prateado... Ou seria uma lua??? Não interessava a forma, mas sim o que ela tinha a dizer. NADA... Não disse nada, apenas sorriu, com seus olhos amendoados, lembrando o povo de LEMÚRIA... O coração de Ale bateu muito mais forte... Epicentro de Atlântida, golfinhos... ali pertinho... Preservação Ambiental... Tudo vinha em enxurrada na sua cabeça já desgastada pelo tempo que vivera... Parecia que ia explodir de tanta informação... Em segundos o Universo parecia estar ali, dentro do sótão e ainda tinha gente que o queria andando pelo mundo... Mas para quê???

PARA NADA!!!

Nada pára!

Pará, Belém do Pará... içaaaa...

 

O VERBO ESTAVA E É DEUS!!!!

UM HOMEM SE DEU, NO PLURAL, DEUS!!!

A figura sorria... Acima dela, havia uma outra, fé...me...nina... fé...me...nino...
eita nóissss!!!

 

Ale brincava com as palavras ou as palavras é que brincavam com ele.

 

De repente o sótão ficou tão iluminado, mas tão iluminado que teve a impressão de estar acima das nuvens, justamente com a figura que voava com asas douradas sobre todo o Arquipélago, depois sobre o planeta Terra... enfim, integrado ao universo e a tudo que ele lhe presenteava constantemente.

Como poderia deixar de comunicar isto tudo ao povo do mundo???

Egoísta, seria Egoísta... Seu Eu Superior nunca lhe permitiria isso.

Mesmo que os Editores não aceitassem os seus escritos, porque a maioria estava comprometida com as entidades castradoras de todo o sistema terreno, ele teria que passar a mensagem, afinal O AVATAR era O CAMINHO...

 

Ale, Ale…………………………..

Era Maria Gabriela chamando-o da cozinha. Sua voz angelical o trouxe devagarinho para a escrivaninha... Aos poucos as imagens foram desaparecendo, mas ele sentiu um toque no ombro, de alguém muito amigo, alguém muito conhecido dele... Foi no ombro direito. Era seu amigo Rui Relvas, que costumava chamá-lo de Ermitão. Uma lágrima veio rolando em suas faces...
O grande amigo de África, Presidente da Casa da Luz! Vivera na Ilha da Madeira, adorava o Brasil... Tocara-lhe o ombro direito e se despediu, junto com todas as outras figuras que estavam ajudando Ale a a...cor...dar... ao dia...

 

- Porque hoje é Sábado!!! Disse ele, ao chegar à cozinha, onde Maria Gabriela o recebeu com um grande e carinhoso abraço.

Ele chorava... e ela o aconchegou ao seu peito como a uma criança que nunca tivera um LAR.
Ali, naquele cantinho do céu, ele conseguira compreender afinal a grandeza de um LAR...

Chorou convulsivamente, e ela o deixou desabafar. Sabia que nos momentos em que ele se inspirava, voltar para a Terra era terrível... E assim o compreendia... pois ela também viera de Urânia, O Planeta Horto, para o encontrar novamente...

As cinco Águias sobrevoavam o Sítio da Relva - Assomadinha - Santo António da Serra, Ilha da Madeira, Portugal, 11:33hs...

 

 

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