Ilha da Madeira

 

"EU QUERO UM HOMEM DE COR!"

 

Naquele dia Ale Mohamed estava ouvindo Elis Regina, a Pimentinha, cantando BLACK IS BEAUTIFUL, em que falava do quanto desejava um Homem de Cor para embelezar todo o seu SER...
Era um CD que lhe fora entregue pelo seu grande amigo Wilson Mancini, quando de sua visita a Fortaleza. Ale estava vindo do Piauí, onde fora mais uma vez para documentar as novas descobertas nos sítios arqueológicos daquele estado do Brasil.

Desta feita, haviam descoberto várias pirâmides que estavam intrigando os pesquisadores, mas, para ele tudo estava conforme intuía há muitos e muitos anos a respeito das antigas civilizações esquecidas. Documentava tudo com recursos que dispunha para que um dia pudesse deixar registrado um documento comprovando a existência de Atlântida, que afinal era, no fundo, no fundo, bem lá no fundo, o maior motivo de suas buscas. Através da revelação desse mistério a humanidade compreenderia quantos e quantos povos vieram antes e depois desta ou daquela civilização, fosse uma civilização do século XX, XXI ou muito antes até de haverem séculos, ou seja, quando o tempo ainda nem existia... É verdade, havia um período em que nem se imaginava tanta coisa, quanto mais o tempo, no entanto aqueles povos, sem dúvida, marcaram sua presença na Terra com imensa sabedoria.

Esse grande enigma é que fizera com que Ale Mohamed perambulasse por todo o planeta buscando respostas a perguntas muito íntimas, e que estavam registradas em suas células ancestrais, através de seus átomos eternos e de sua genética mais que eterna, genética esta que tinha em si mesmo tantas civilizações, povos e raças que, sem sombra de dúvida, cobrava dele uma atitude. Por isto, e tão somente por isto, não conseguia deixar de ir e vir aonde fosse solicitado para desvendar os chamados mistérios, que de mistérios nada tinham, apenas assim eram chamados, pois quem detinha o poder nunca iria facilitar a clarificação dos mesmos.
Se todos os povos do mundo se conscientizassem que ao fim e ao cabo tiveram uma mesma origem cósmica, talvez a PAZ reinasse mais rapidamente em todo o planeta Terra.
O mais curioso é que os povos que aparentemente tinham menor índice de misturas genéticas causavam maior dano ao Planeta, pois eram preconceituosos, petulantes, inquisidores, ditatoriais. Com tudo isto, eram pseudo poderosos cavando a sua própria sepultura, porque, sem dúvida as raças dominantes sempre foram as que resistiam mais aos efeitos solares, e nelas se incluíam os Africanos.

 

Elis continuava a cantar: Eu quero um homem de cor...

 

Lembrou-se de Elis Regina com ele no Bixiga, São Paulo, na mesma época em que conheceu Raul Seixas, que na oportunidade fora marginalizado, como tantos outros, mas já cantava : "Eu nasci, há 10.000 anos atrás!"

"O espírito jovem sempre foi livre. Há jovens aventureiros, românticos e adultos. VIDA, seqüência de fatos dos jovens de ontem..." (Ermitão da Picinguaba).

O jovem comunicador que fora tinha dentro de si uma força que não lhe permitia parar de buscar respostas a situações a que outros se acomodaram. Agora com seus sessenta anos, ele cada dia mais compreendia o porquê de sua missão nas comunicações, nas pesquisas, na escrita, na forma que encontrara de mostrar primeiro a si mesmo e depois a quem se interessasse, o quanto realmente somos NADA perante o UNIVERSO.

Então, tinha cabimento, depois de trinta e tantos anos, Elis Regina estar ali cantando, através da gravação de um CD digital, entrando em seu coração romântico e aventureiro, tão aventureiro que já conseguira nadar nu, em pleno mar de Paraty, para ir de ilha em ilha até Picinguaba, sem se preocupar com o peso do calção, chegando assim às suas descobertas sublimes e, para muitos, inexplicáveis.

Tinha cabimento sim, mas o que mais tinha cabimento era que o UNIVERSO TAMBÉM GRAVAVA, e como gravava tudo o que se passava em todos os micro pontos de todos os universos, havia quem pensasse que apenas a tecnologia é que podia fazer isto. Ledo engano, pensou Ale Mohamed, imaginando porque o jovem moço de antanho, chamado Jesus, dizia:
"É mais fácil um camelo passar pelo buraco de uma agulha, do que um rico entrar no reino dos céus!"

Foi só ele escrever isto em sua antiga escrivaninha, para Elis Regina começar a cantar OS ARGONAUTAS...

"Navegar é preciso, viver não é preciso!"

A voz suave e melodiosa da "pimentinha" o elevava a planos muito superiores a tudo o mais que poderia haver neste mundo terreno, e, só isto já era a sua paga... Só isto é que alimentava a sua alma de Ermitão, de um ser que conseguira, com uma simples expiração, se reencontrar com seus caminhos eternos, para então desvendar por qual motivo o povo do mundo tinha que esperar O AVATAR.

Será que todos os povos tinham o mesmo motivo?
Esta pergunta martelava em sua cabeça, tal qual o malho do ferreiro que fazia a ferro e fogo as ferraduras que ajudavam Sereno e Neblina a cavalgarem sem destruir seus cascos...

Por qual motivo os povos do mundo precisavam de um SALVADOR, de um PROFETA, de um AVATAR?

Ora, se Ele, Aquele que vinha em nome de um DEUS, ou de uma Entidade Superior, deixava sempre suas mensagens para os povos a quem aparecia, como era possível ainda haver tanta discórdia no mundo???

"Quantos brancos horríveis eu vi!" cantou Elis Regina...

Será que alguém se lembrava como ela morreu???
Ele se lembrava, e, nem tinha dúvidas, Elis Regina fora assassinada!!!
Mas permanecia cantando eternamente, com ou sem CD, a mensagem dela passou...

Seria ela um Avatar? Por que não???

As lágrimas tomaram conta do seu rosto vincado pelas rugas, um grito explodiu dentro do sótão:
POVO DE MERDA!!!

 

Ele era assim, entre deuses e demônios ele era o que ERA, e em todas as ERAS, sem dúvida, ele sempre gritara a quem o quisesse ouvir: EU SOU O QUE SOU!!!
Nem tentassem mudá-lo, porque a sua revolta seria maligna... Ele não se alinhava com aquela história de sermos bonzinhos, darmos a mão à palmatória, permitirmo-nos ser vassalos de um vagabundo qualquer, com todo respeito aos vagabundos verdadeiros, porque estes pelo menos compreenderam que era melhor serem andarilhos do que escravos de gente inescrupulosa.

MOISÉS, sim, MOISÉS foi um grande Avatar...

 

Como uma grande nave, uma imensa luz adentrou o sótão... SÓ...TAO, e Ale Mohamed, que tinha o rosto todo coberto por suas lágrimas salgadas, tal e qual o sabor mar, imediatamente se alegrou, como se recebesse a visita de eternos amigos, vindos de outras plagas, de outros planetas, de outros orbes... Os mesmos que passaram a Moisés a maneira mais simplificada de resolver os problemas do seu mundo no Egito. Eram dez itens, dez mandamentos, e nada mais.

UM HOMEM SE DEU, NO PLURAL, DEUS!!!

Eram os Deuses astronautas?
Título de um livro de Erich Von Däniken...

Tudo Átomo! Exclamou Ale Mohamed, enquanto em seu sótão se instalavam seres vindos do NADA, para ajudá-lo a desvendar o inverso de NADA-ADAN, a raça Adâmica...
Criada e não consubstanciada, à IMAGEM E SEMELHANÇA DE DEUS...

Que grande patuscada... que grande aldrabice... que mentira mais inverossímel...

Então, por qual motivo os regentes deste mundo todo não desvendavam isto lá na ONU???
Que ao inverso dá UNO?
Qual era o esquema deles afinal?
Se o bezerro de ouro não tinha que ser adorado pelos que deram a volta aos Egípcios, graças às orientações que Moisés recebera lá no alto, do mais alto dos céus???
Quer dizer, mesmo com tudo isso, os Egípcios ficaram com a fama, e o POVO DE MOISÉS, que sabia como construir as Pirâmides, ficou ali, escravizado por séculos e séculos.
Esse mesmo Povo que, após se libertar, atravessou até mesmo o MAR VERMELHO para se colocar a salvo, tornando-se então o POVO DE DEUS...YOU DEUS... JUDEUS... Essênios, isso sim, eram essênios e ficaram sem terras, errantes, peregrinos eternos... e ternos... peregrinos...

És em si a incógnita N, de Ios... ou Ions??? Essênios...
Gente do céu!!!

 

"Voltamos aos átomos!"
Falou uma das entidades que se deitara na rede trazida do nordeste, colocada no Sótão de Ale Mohamed...

 

Apoiando a cabeça entre seus dois polegares, justamente no ponto em que se situa a Terceira Visão, o escritor deixou-se ficar sem nada pensar, sem nada dizer. IONIZAÇÃO...

Curiosamente, Elis Regina cantava:
"Alô, Alô, Marciano, aqui quem fala é da Terra, para variar estamos em guerra!"

...silêncio...

 

Sua nuca ia explodir, sentia isso. Respirou, fez uma expiração, pediu licença aos seus amigos de outros orbes, de outras dimensões, sentou-se na postura da Flor de Lótus, fez uma expiração... apenas uma expiração... absolutamente NADA.

Bem lá ao fundo do sótão, a música baixinha na voz de Elis Regina...
"Eu sou aquele amante à moda antiga…"

Só mesmo um romântico poderia desvendar tudo isso sem se deixar abater...

Alpha... Beta... Omega...

O Sótão ficou tão vazio como o céu ao amanhecer, que tem apenas a luz do Sol.

NADA, ABSOLUTAMENTE NADA.


 

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