O TSUNAMI HUMANO

 

 

Tsunami, Grande Onda, ou Maremoto é uma enorme onda que surge no horizonte e, muito antes que as pessoas tenham tempo de arrumar uma forma dela escapar, ela vem e traga a tudo e a todos.

Ale Mohamed voltou do encontro que teve no Brasil para uma Europa ainda arraigada a planos existenciais muito à moda antiga, sem uma visão mais ampla do que o universo estava promovendo em forma de desenvolvimento humano, mas, cada roca seu fuso, cada povo seu uso.
Sentia saudades do encontro com seus amigos ligados a Arqueologia, os quais encontraram as tais pirâmides no Piauí, tendo depois Ale passado por Fortaleza e reencontrado seu grande amigo de juventude, Wilson Robert Mancini, um Comandante da Marinha Brasileira que trocou a vida do mar pelas belíssimas praias do Ceará, vivendo ambos momentos indescritíveis, juntamente com suas esposas e outros amigos de Fortaleza que ele não via há muitos anos, mas que parecia ter visto no dia anterior.

E, para complicar mais ainda, ao chegar à Europa, via Lisboa, Ale saiu do avião e recebeu uma carga térmica inversa, que ia dando cabo dos seus neurônios, pois ele sentia sua cabeça congelar como um bloco de água na geladeira se transformando em um cubo de gelo.

Vinha de uma temperatura de 38ºC em Fortaleza e de repente recebe uma descarga de 6ºC, o que, claro, o afetou e muito.

Foi socorrido dentro do próprio aeroporto, e chegando ao Hotel onde se hospedaram, mesmo entrando em uma banheira com água morna, seu organismo demorou a se reintegrar com o plano Terra.

Maria Gabriela o acompanhava e, como médica-veterinária, percebeu que algo se passava além dos aspectos físicos, algo que só mesmo Ale depois lhe poderia explicar.

No outro dia, pela manhã, saíram do Hotel Roma, nome ligado aos que perseguiram O AVATAR - JESUS, e dirigiram-se ao aeroporto com intenção de embarcarem para a Ilha da Madeira.

Nem bem chegaram ao aeroporto, novamente ele começou a passar mal, tendo sido socorrido por uma enfermeira que, ao fim e ao cabo, ajudou para que ele conseguisse perceber o quanto sua pressão arterial e os níveis de glicose subiram uma enormidade, comprometendo o diabetes.

Gabriela nem sabia mais o que fazer, mas sempre atenta o foi amparando, nem comentava muito o ocorrido para que ele não ficasse mais estressado ainda.

Chegaram à Madeira, e no outro dia ocorreu o fenômeno do Tsunami entre a India e várias outras localidades da Ásia.

Milhares de pessoas desapareceram do dia para a noite e o pânico se instalou em toda a Ásia e regiões vizinhas.

 

 

Quantas almas ainda estariam buscando o seu verdadeiro rumo, pois os corpos foram envoltos em plástico e enterrados às pressas para se evitar maiores desgraças como a propagação de epidemias.

Ora, Ale sabia que os corpos, quando cremados, libertam muito mais rapidamente o espírito de cada pessoa e sua própria Alma. Além disso, mesmo os corpos que não apareceram deveriam estar soterrados e seus entes queridos nunca mais os encontrariam, o que, sem dúvidas causa um enorme desequilíbrio entre o peri espírito, o plasma, o corpo físico, o KAMA RUPA, e tudo o mais...

Assim, vários meses se passaram e, claro, muitos no Planeta TERRA se aperceberam que mais uma vez a Natureza vinha dar um recado aos seres humanos do quanto de destruição e de inconseqüentes situações tinham sido criadas por aqueles que não se preocupavam com o quanto uma ação gera uma reação.

 

Ale se apercebera que havia algo muito mais complicado de explicar à humanidade do que o Tsunami que ocorrera atingindo a India e várias regiões litorâneas da Ásia…

 

Era o Tsunami Humano, onde UMA VAGA DE SERES HUMANOS tomava atitudes descabidas contra a maioria das populações, com o chamado consumismo desvairado sendo mais que promovido e, claro, uma forma de pseudo desenvolvimento que em nada ajudava a salvar os que não queriam alinhar naquilo tudo.

Bastava ver as chamadas Grandes Superfícies, atulhadas de pessoas que mais pareciam formigas indo e vindo, mas sem encontrarem o alimento e a proteção necessária para o seu modo de vida; muito pelo contrário, apenas cada vez mais afundando em um atoleiro econômico-financeiro do qual muito poucos conseguiriam se safar, porque a ONDA gerada pelos incautos promotores deste descalabro social, sem dúvidas era muito maior do que as parcas economias e rendimentos de cada qual.

Ale ficava imaginando onde tudo isto iria dar...

 

Lembrou-se de cidades como São Paulo, Rio de Janeiro, Lisboa, Londres, Nova York, entre outras, onde a vida a que as pessoas estavam habituadas, de um dia para o outro ia se transformando de uma forma tal que, sem dúvidas, quando se apercebessem estariam envoltas em um MAREMOTO HUMANO sem volta.

 

Ao lembrar do que era São Paulo em sua juventude, Ale começou a analisar o porquê os mundos dos mundos tinham que ficar todos iguais, e, curiosamente, sem valor humano algum, apenas com os valores materiais e de consumismo exacerbado que comprimia a população de todas aquelas cidades contra uma VAGA sem fim.

Claro que tudo isto afastava o ser humano do que verdadeiramente mais era em toda sua plenitude, e por mais que alguém quisesse avisar, a maioria nem ouvia. A Grande Onda vinha lá no Horizonte, mas as pessoas preferiam ficar ali desafiando sua própria vida, terrena, cósmica e humana.

 

Tinha momentos em que dizia para si mesmo que NADA, mas NADA mesmo, tinha a ver com tudo aquilo, mas, se todos fazíamos parte do Universo e se o Planeta Terra estava inserido no Universo, como se omitir?

Seria o mesmo que deixar um turbilhão de sensações estranhas estar ocorrendo dentro dele, como o que lhe ocorreu em Lisboa, com a queda de temperatura afetando o seu corpo físico e lhe dando logo de cara uma dica do que estava para vir... O TSUNAMI...

 

Ficou matutando sobre aquilo tudo como se estivesse em outro mundo: qual seria a maneira melhor de colaborar com todas aquelas pessoas espalhadas pelo mundo?

Afinal, o mundo nem era tão grande assim; se compararmos as estrelas quando as olhamos de cá para lá, era um grão de areia perante todo o universo.

Se o mundo nem era tão grande assim, por qual motivo as pessoas ainda se aglomeravam nos grandes centros?

O Êxodus Rural foi enorme nos últimos tempos e, de modo bastante curioso, quem foi ficando com tudo o que ficara aparentemente abandonado foram os que sempre dominam os povos do mundo, as forças armadas, as igrejas, os colonizadores, os senhores feudais e os inescrupulosos de sempre que eram conhecidos como especuladores, Bancos, Seguradoras, Imobiliárias etc.

Será possível que ninguém tinha consciência que isto só iria prejudicar as gerações do futuro?

Evoluir não era isto e nunca poderia ser isto.

Atacar estas instituições todas seria suicídio, sem dúvidas quem o fizesse também seria crucificado. O próprio Jesus passou uma mensagem lindíssima ao adentrar o Templo de Salomão, na época da Páscoa, oportunidade em que os descendentes de Moisés, Abrahão, David e Salomão vinham fazer o recenseamento de suas famílias e propriedades.

Ele, ao adentrar o Templo, onde costumava ir ainda criança discutir com os Doutores da Lei, se apercebeu que a CASA DO SEU PAI havia virado um mercado de mercenários a transacionarem de tudo o que havia para ser transacionado no plano material, e o respeito, o silêncio e a meditação não tinham mais espaço ali.

Sua ira foi tanta que chegou a chicotear os que assim procediam sem nem sequer se dar conta se eram romanos, fariseus, Doutores da Lei, comerciantes, amigos da sua família, de seus conterrâneos, NADA interessava a Jesus, apenas salvaguardar a IMAGEM QUE TINHA DO TEMPLO.

Para alguns o que ficou de mensagem é que nos Templos não se deveria comercializar NADA, era LOCAL SAGRADO.

Muito bem, mas O Templo era a reconstituição da Vida Humana com todos os seus rituais, desde o Gênesis, ou LIVRO DA VIDA.

Se assim era, assim É em todas as Eras.

E como então é possível estarmos dilapidando o Templo Humano, ou corpo físico, que congrega todo o MISTÉRIO DA VIDA, com o consumismo desbaratado e com a falta de moral, de ética, de reconhecimento do que prescreve a LEI DE DEUS, a mesma LEI, que desde sempre foi entregue aos homens para que houvesse uma eqüidade entre todos os povos do mundo?

 

Se alguém imaginar o mundo antigo, dirá: "Mas estavam falando apenas do mundo dos essênios, judeus, árabes, palestinos, gregos, romanos, enfim, um mundo pequeno em relação ao mundo de hoje!"

Este alguém apenas estará tapando o sol com a peneira e ficando com a cara repleta de sardas ou propenso a ter um câncer de pele.

 

Há uma história contada por Kalil Gibran que diz o seguinte: "Um dia estava em minha tenda situada no Bazar, lá em minha terra, cuidando para que as máscaras que eu produzia e vendia ficassem mais bem arranjadas para o povo que ali passava. Apanhei uma delas e a estava experimentando, quando um ladrão passou e rapidamente roubou a que estava mais próxima da entrada de minha tenda. Imediatamente saí correndo atrás dele, a máscara que eu tinha em meu rosto caiu e assim fiquei com duas máscaras a menos em minha tenda. No entanto ao sentir o Sol aquecer meu rosto, agradeci ao ladrão ter-me feito sair lá de dentro e sem máscara, pois o sol me fizera um bem imenso!"

 

Quem entende o que Kalil Gibran quis dizer, também entenderá o que Ale quis mostrar aos seus conterrâneos e amigos terrenos.

 

Deixai a Luz Divina vos iluminar e compreenderás melhor ainda.

É difícil em meio a tantos edifícios ver o Sol!

Somos filhos do Sol e da Lua, somos filhos do Universo e negar isto é realmente negar que O TEMPLO está sendo violado dia a dia em todos os sentidos.

 

Ale tinha certeza que a natureza iria sempre reagir, como foi o caso do Tsunami; também sabia que a natureza humana era muito, mas muito forte para se deixar levar por alguns senhores do pseudo poder.

Estava certo que iria haver uma reação em massa muito em breve, a qual poderia ser através da unificação de todos os povos do mundo em prol de todo O POVO DO MUNDO.

 

Ficou imaginando isto, TODO O POVO DO MUNDO.

Unindo-se em uma só força.

Em uma só corrente.

Em apenas um sentido e direção.

Seria maravilhoso o dia em que isto ocorresse.

O Universo estava conspirando para esse momento acontecer.

 

 

Respirou, foi até a cozinha, apanhou uma caneca, bebeu água, sentiu a pureza da mesma, saboreou o frescor que ela lhe dava, mesmo naquela época entre o Inverno que findava e o Verão que logo iria aquecer mais uma vez as serras onde as neves e o frio ainda persistiam estar.

O rádio a válvulas tocava uma canção muito antiga, que falava de um velho realejo...

"Naquele bairro afastado, onde em criança vivia, a remoer melodias de uma ternura sem par, passava todas as tardes, um realejo risonho, passava como em um sonho, o realejo a tocar..."

 

 

Voltar para O Avatar
www.ermitaodapicinguaba.com
© 2004