EM NOME DE DEUS, MAS QUE DEUS?

 

“Quanto mais pura é a água, mais ela mata a sede!”

Aquelas palavras ressoavam na cabeça de Ale Mohamed, que estava seguindo para Paris em um vôo que saíra da Ilha da Madeira, em uma época em que os Talibans estavam, a torto e a direito derrubando mitos, dogmas, tradições, tanto em locais que por eles foram invadidos no Médio Oriente (Afeganistão), como em várias outras partes do mundo, explodindo carros, ou com homens-bomba, um terrorismo desenfreado para uns e um ENCONTRO COM DEUS, para eles mesmos.

A frase havia sido dita em um simpósio a respeito do maior aqüífero sediado na América Latina, pertinho do Vale do Kiriri, onde o próprio Brian Weiss, psiquiatra e escritor, havia já identificado um dos pontos energeticamente mais bem equilibrados na América do Sul, o que, para quem não sabe, é uma dádiva Divina, pois os processos de cura passam a ser muito mais simplificados e, antes da cura, a ausência de doenças também passa a ser muito maior.

Os passageiros daquele vôo nem se davam conta do que estava acontecendo em Paris (os Talibans começaram a atacar Paris naquela manhã), e assim o vôo seguia tranqüilamente sem nenhum problema a bordo.

Quando desceu no Aeroporto Charles de Gaule, o encarregado da Alfândega perguntou, em um francês de cais do porto, se Ale Mohamed vinha de Istambul. Como Ale não entendia muito bem o que o homenzinho dizia, sorriu e assinou a folha que por várias vezes foi colocada a sua frente, até que um senhor, que vinha logo atrás, disse: ”Ele está vindo de Portugal!”

Desfeita a dúvida, Ale atravessou a divisa entre a legalidade e a ilegalidade, sem nem sequer se dar conta de que sua barba e suas feições o assemelhavam a muitos dos terroristas que estavam sendo caçados no mundo todo.

Mas, ao entender que o rapaz falava Istambul, ele se lembrou de que havia escrito em O Planeta Exterminador há muitos e muitos anos atrás: “…Singra Veleiro, Singra os Vales Universais, passarás por Istambul, chegarás a Versasses, sem flores e sem amores!”…

Então nosso amigo ficou com duas frases a lhe martelarem a cabeça enquanto o motorista do táxi seguia em direção ao Hotel onde ficaria hospedado.

O mais interessante era a pureza d’alma que ele estava naquele momento, sem nem sequer saber dos Talibans e seus ataques na Cidade Luz.

Após se acomodar no Hotel, deitou-se e ficou remoendo seus pensamentos, logicamente querendo chegar a alguma conclusão, porque se a sua mente registrara aquilo tudo e não o deixava em paz, algum motivo haveria.

Pureza d’Alma e Inocência das pessoas em geral, no que diz respeito a situações tremendamente perigosas para uns, e para outros um ENCONTRO COM DEUS.

Ora, para os Talibans, morrer em nome de Alah ou de uma causa que os elevasse à presença de Deus era algo mais do que líquido e certo.

Para o povo do mundo em geral, Deus representava uma PAZ EXTREMA.

E agora?

Realmente, era uma pergunta muito difícil de ser respondida.

Quem estaria certo?

Por que haveria de ter mártires para se ter santos ou filhos de Deus?

Porque a pureza das crianças seria tão desvirtuada a ponto delas ainda na tenra idade já empunharem armas contra um INIMIGO que elas mesmas nem conheciam, mas identificavam como sendo inimigo, e do outro lado, o “Inimigo” atacava o que considerava a própria Besta do Apocalipse, em forma de Talibans, ou crianças-bomba!

Deus do céu… Como poderia haver tantos disparates entre uma e outra civilização?

Se calhar em uma mesma civilização?


Ale sabia que isto tinha de mudar e os meios de comunicação seriam de vital importância para que esta mudança ocorresse. Mas COMO?!

O telefone tocou no apartamento onde ele se encontrava. Ale saiu de seus pensamentos, atendeu, era o grupo de estudos que já havia chegado ao Hotel e iria se reunir com ele para definirem metas de ação no que dizia respeito a integração maior entre os povos de língua Portuguesa espalhados pelo mundo, entre eles, o BRASIL, ANGOLA, MOÇAMBIQUE, SÃO THOMÉ E PRÍNCIPE, CABO VERDE, AÇORES, MADEIRA.
Era muita gente, e uma imensa multiplicidade de etnias.

É verdade! Os Portugueses, ao partirem para os chamados Descobrimentos geraram NOVAS RAÇAS, NOVOS POVOS, NOVAS ETNIAS, uma miscelânea de raças, povos, usos e costumes que gerou algo extremamente diferenciado de todos os outros tipos étnicos que existiam muito bem definidos e espalhados também pelo mundo.

Seriam raças puras???

Teriam tanta pureza como os chamados Portugueses ou seus descendentes?

Comparar esta pureza de Raça tinha algo a ver com a verdade universal?


Ao chegar à recepção do Hotel, “Chico”, um dos amigos de Ale, o recebeu sorrindo, com um grande abraço bem à brasileira e logo deixou o escritor e pesquisador muito à vontade.

Alline, que acompanhava Chico, era uma francesa que se enamorara pelo brasileiro em uma das incursões feitas pela Bretanha adentro, também estudiosa das etnias, usos e costumes.

Tinha os olhos esverdeados, a pele queimada pelo trabalho que fazia em meio à natureza, estatura média, sorriso franco e cabelos ruivos.

Atlantes, pensou Ale Mohamed, que considerava o povo que tinha cabelos ruivos descendente dos Atlantes; não que outros tipos de cabelo negassem a origem Atlantes mas, na opinião de Ale, os ruivos ou as ruivas, sem dúvida, eram uma grande incógnita no estudo genético do mundo.

Após as apresentações os três amigos dirigiram-se para a saída do Hotel, entraram no carro que Chico havia disponibilizado para as idas e vindas e seguiram em direção ao Trocadero, onde haveria um encontro com vários outros estudiosos dos temas em questão.

Chico e Alline iam atrás, Ale se colocando entre os dois grandes amigos, muito à vontade, o que lhe permitia uma agradável sensação de estar entre irmãos, algo que para ele era fundamental em uma relação e que dificilmente acontecia na Europa, pois as pessoas eram muito formais, o que o desagradava imensamente.

Após todas as reuniões programadas, saíram do Trocadero e se dirigiram à Torre Eiffel, para desfrutar a vista e satisfazer certas curiosidades a respeito das pessoas que então freqüentavam Paris, que a visitavam em grupos ou isoladamente, mas, com uma diferença gritante do que era a Europa de antanho, quase que reservada apenas a uma minoria, em função das dificuldades para viajar.

O espaço cheguen abriu as portas da Europa para o mundo, e Paris vivia então uma intensa invasão de povos de todos os lados do mundo, pois não havia tanta necessidade das pessoas serem inspecionadas nas alfândegas ou fronteiras.

O rádio do carro anunciava que havia explodido uma bomba justamente no Trocadero, e só então Ale tomou conhecimento do que estava acontecendo em Paris.

Chico o aquietou, dizendo que eram pessoas de Paz e nada lhes aconteceria. Rumaram assim mesmo para a mais famosa torre do mundo, subiram no antigo elevador, puderam visualizar uma vasta área de Paris, enquanto as ambulâncias corriam de um lado para o outro para socorrerem as pessoas que foram atingidas bem ali abaixo deles, do outro lado do Rio Sena, onde ficava o Trocadero...

Ale ficou uma semana na França e não presenciou nenhum atentado. Apenas ouvia as notícias nas rádios, televisões e jornais, todavia tinha que aproveitar ao máximo a sua estada. Assim, ao chegar ao seu mundinho, lá no alto da montanha onde vivia, depois de se acomodar novamente àquela vida de escritor e um quase EREMITA, foi que se deu conta do quanto de pureza e de inocência ocorrera naquela viagem.

E, se calhar, foi a pureza e a inocência dos três amigos que os impediu de serem contaminados com a carnificina que se impunha naquele sistema doente e caduco que o mundo criara, um Velho Mundo, considerado por uns uma maravilha, mas um mundo dos desertos, das falanges suicidas, dos fanáticos que nem queriam saber quem estaria em um ônibus, avião ou mesmo esplanada pública.

Ao mesmo tempo, tanto no Novo Mundo - das Américas, quanto no Velho Mundo Europeu, em todos Países em geral, haviam pessoas muito puras, inocentes e que nem tomavam conhecimento desse mundo de calamidades humanas.

Tudo isto era motivo de controvérsias e ao mesmo tempo de estudo e análise, para que no futuro a humanidade encontrasse um equilíbrio, como o fazem os pássaros, as aves de arribação que, ao pressentirem que algo irá prejudicar a sua espécie, logo procuram outros locais onde possam desenvolver-se sem prejuízo da sua maneira de ser e viver.

Toda grande caminhada começa com um primeiro passo!


 

 

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