CAVERNA SUBMERSA

 

Era uma tarde em que o mar estava muito calmo na praia do Camburi - entre Picinguaba e Paraty. A Mata Atlântica cobria os dois lados do asfalto da BR101 uma estrada litorânea que vai de São Paulo ao Rio de Janeiro e depois segue até o Nordeste Brasileiro… O Ermitão nadava e observava as ondas alísias indo e vindo de encontro à costeira, uma alta costa rochosa, com imensa pedras que tinham a forma de vários animais, não era só ele que via… os turistas e alguns pescadores também.

Naquele dia ele havia descido a Grande Cachoeira com seus oitenta metros de altura em patamares suaves, pesquisando as imagens que encontrava nas Pedras… UM CAVALO PRETO, uma Tartaruga, um Dragão, e assim ao entardecer estava entre a Ilha das Couves e a Costeira do Camburi em meio a uma imensa baía. A água estava quase morna… os olhos ardiam um pouco com o sal marinho. Lembrou-se do tempo em que nadava em piscinas e tinha medo do Mar… agora era como se estivesse integrado com o Oceano e todos Oceanos Siderais… parecia um peixe… ou um Golfinho… pois subia apenas para apanhar ar… Adorava nadar… em baixo d'água mais ainda…

O seu estudo a respeito de Atlântida começou no Peru, nos Andes… passou pelo Mar dos Xaraés (Pantanal do Mato Grosso), Chapada dos Guimarães, onde encontrara fósseis marítimos a 800 metros de altitude… Amazônia… México, Venezuela… e no fundo dos Oceanos em túneis que se interligavam com várias áreas que já conhecera, onde, sem dúvidas, viviam os Intra-Terrenos… seres que tinham um conhecimento bastante evoluído e se comunicavam com os da superfície e com os Extra-Terrestres…

Decidiu que mergulharia na caverna submersa existente naquela costeira e assim ficou boa parte da tarde preparando-se para o melhor momento…

As ondas iam e vinham em correntes submarinas para o interior da caverna, cuja entrada tinha como defensores e guardiães ouriços enormes.

O Ermitão não se intimidara, pediu licença a Netuno, foi se aproximando e quando a correnteza o arrastou com mais suavidade soltou-se e foi como um corpo inerte sendo arrastado suavemente até à entrada… Os ouriços pareciam acariciá-lo… A entrada era longa e teve um pouco de receio de ficar sem fôlego. De repente percebeu que estava em uma imensa Caverna, ampla, iluminada com uma cor entre o rosa e o violeta… (Saint Germain), viu que dava pé e ficou em pé… Caberiam ali umas 10 pessoas… o teto era todo cintilante, refletindo as ondas que iam e vinham… Algo sublime. Rosáceo… lembrou-se da Rosa Cruz… deitou-se para descansar um pouco… adormeceu, com as ondas a massagearem seus pés… Sonhou.

No sonho uma voz dizia-lhe que a partir daquele momento nada mais iria lhe faltar… Acordou com o rugido de um Leão… era o vento, a água, Eolo… Druza… Percebeu que um tronco de árvore trancava a saída de ar e de água. Foi agachado e tentou tirá-la. Dali, parecia um apelo da Caverna… o rugido vinha dali… Ao tirar o tronco, após um imenso esforço, a água que estava ali retida começou a inundar a caverna. Em poucos segundos a água chegou-lhe ao peito. Olhou ao redor, ...uma chaminé natural… Foi-se esgueirando por ali, subindo pela garganta interna daquela imensa Montanha... Fincava as mãos e os pés como melhor lhe convinha. Foram séculos aparentemente… até chegar ao topo da Montanha.

Lá em baixo, como se fossem miniaturas, os barcos de pesca, as cabanas dos índios, as casas de alguns Caiçaras… Ao olhar para os seus próprios pés, por instinto e puro instinto, o Ermitão percebeu que estava sobre duas pegadas enormes …seriam suas pegadas do passado que ficaram ali marcadas?!!!

Ao longe, no Oceano, uma visão: uma Caravela… A Cruz de Malta… Uma moça loura… nas nuvens… Um Deus com um imenso bigode a sorrir, uma Deusa Oriental a dizer-lhe: fomos seus Pais… um Amor Proibido… E você criou-se na Natureza, no Mar, nas Montanhas… Viva sempre assim… nós vigiaremos… e você será feliz…

 

 

No quarto do Hotel Castor Gabriela o "acordou" do transe…
– Ale, então, vamos jantar?

Beijou-a com carinho, abriu a porta do armário, apanhou o sobretudo, vestiu-o e saíram no frio da noite… em busca de alimento.

A emoção de estar muito próximo das suas origens não lhe dava fome, nem sede, nem sono, só queria desvendar os mistérios e descobrir a verdadeira história da sua vida…

Jantaram em uma casa típica do Norte de Portugal, conversaram sobre as suas esperanças, a nova casa que nunca ficava pronta, como sempre foi… As crianças, os netos, Arthur, Dominique, André Luís… algo muito familiar. Há tempos nem queria ouvir falar em família e agora descobrira que é o único meio para desvendar as histórias e ir de encontro à Verdade Universal… a partir da Célula Social… e Familiar.

Vivera dos 12 aos 53 anos afastado da família, fora como um visitante na casa dos Pais…
O início em vários colégios de padre, depois um internato, quase seminarista, Salesiano, depois a Academia Militar… os Mares, os Portos, os Povos, seus usos e costumes… A revolução de 1964… a contestação, o revolucionário… o sonho desfeito de um lado por se negar a matar BRASILEIROS, a vida civil com formação rígida a mais, as empresas, os clientes, o mundo da Comunicação. E a família era e ainda é. Uma vez por ano ou no Natal, aniversários… Os sobrinhos e sobrinhos netos o chamavam Tio Indiana Jones…

E assim, naquela noite, no Restaurante Típico do Porto, algo começava a intrigá-lo… Nunca dependera aparentemente de ninguém… e se calhar era carente de coisas que os outros não eram carentes… Que grande descoberta na caverna do seu coração!

Chegaram ao Hotel Castor, verificaram se havia algum recado. Subiram pelo elevador muito antigo com portas pantográficas, estilo século… sabe-se lá qual… O apartamento era o 471, dava vistas para o imenso Rio Douro, onde seus ancestrais ainda produziam em suas margens o Vinho do Porto, desde a plantação até à exportação. Chegaram alguns deles ao Brasil em 1575, expulsos de Portugal… Judeus… Os outros que ficaram converteram-se e eram NOVOS CRISTÃOS…

Portugal começara ali no Norte e estendera o seu Reinado até ao Sul. O Oceano era e é a grande Porta deste País que se considerava a Cabeça da Europa… mesmo a Testa da Europa… pois a Espanha era a Cabeça, que se desunira da testa…

No outro dia foram visitar os monumentos, a Bolsa, O Salão Árabe …parecia ter vivido ali, naquele ambiente… Gabriela percebia a sua emoção com cada esquina daquela cidade cortada ao meio pelo belíssimo Rio Douro; a sua arquitetura lembrava muito Salvador, na Bahia...

Apanharam o Barco e foram subindo o Douro. As Quintas… as plantações… as vindimas, os Casarões Antigos, as Janelas onde os Lusitanos avistaram NOVOS RUMOS…NOVOS MUNDOS….E CRIARAM NOVAS CIVILIZAÇÕES…

Pois é: Misturaram as raças, e geraram um povo totalmente diferente de todos os povos, os Brasileiros, os Luso-Africanos. Criaram o que o sapateiro de Foz Côa profetizara no Século XVI, O QUINTO IMPÉRIO… Portugal no Mundo e o Mundo que foi feito a partir de Portugal… todos juntos a falar uma mesma língua, usos e costumes, novos tipos genéticos, novos ritmos, nova indumentária, ou sem indumentária nenhuma… sem lenço e sem documento… Desde o mais nu e mais feliz até ao mais requintado e também feliz, com samba no pé e ginga muito diferente da do Europeu… Que diferença se criou a partir dali de onde ele se encontrava… Diferentes mas iguais… "Crescei e Multiplicai-vos"… e assim foi feito…

 


 

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