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Aprisionado
entre o intelecto e a razão, Ale Mohamed se apercebia do
quanto tudo aquilo que para ele poderia ter algum significado
estava justamente fora do seu corpo físico.
Como poderia
ele explicar isto às pessoas, sem magoá-las, sem
dar mostras de ser um alienado perante o sistema constituído
e, ao mesmo tempo, satisfazer sua forma de ser também no
plano Terra?
Sabia que
poderia ficar a vida toda escrevendo e não iria conseguir
passar a mensagem que trazia consigo.
Havia sido
assediado várias vezes e de maneiras diferentes, tanto
pelos que pretendiam usar seus conhecimentos nas várias
áreas em que atuara como por quem apenas queria usufruir
das suas conversas, que mais pareciam de um “contador de
histórias”.
Histórias
de encantar, que muitas vezes o colocava em posição
extremamente delicada pelo que as pessoas de modo geral se envolviam
com o ser humano que ele era, mesmo ele nem se apercebendo muito
disto, estando a Leste do que elas sentiam por ele como Homem
ou como um objeto de suas vidas apagadas e sem graça alguma.
Isto tudo
fez com que Ale Mohamed cada vez mais se interiorizasse de busca
de uma resposta mais saudável, para ele e para os que,
em sua opinião, também buscavam respostas a isto
que chamamos VIDA TERRENA.
Sabia que
todo o processo de seu próprio aprendizado estava se tornando
muito repetitivo, mas, se para ele estava sendo difícil,
se calhar para muitos outros mais difícil ainda ficaria
a cada convivência ou vivência apenas.
A VERDADE,
esta sim, era muito complicada.
Para uns era
assim, para outros era assada.
E naquela
segunda-feira que precedia a comemoração da Páscoa,
Ale Mohamed tinha bem gravado em si as imagens relativas à
vinda de Jesus de Nazaré, o UNGIDO que os Judeus tanto
esperavam como o Messias, e que nem mesmo Pôncio Pilatos
reconheceu nele algum motivo para julgá-lo perante Deus
ou os Homens.
Todavia a
ignara multidão o JULGOU.
É verdade,
a multidão sempre fora incontrolável e, no caso
específico de Jesus, foi assediada pelos próprios
Doutores da Lei que permitiram que o TEMPLO SAGRADO, que continha
toda a História dos Essênios, desde quando o Mundo
era Mundo, se convertesse em um centro de negociatas e de vendilhões
da própria Fé.
Aí
estava um exemplo típico do quanto o Intelecto e a Razão
nada, mas NADA mesmo, tinham a ver com as forças cósmicas
que nos fazem compreender o outro lado da VIDA.
Aquele lado
em que nosso SER de LUZ se recolhe e vai se expandindo, expandindo,
expandindo até nada mais ser, em termos Terra, e tudo começar
a SER em termos Universais e Divinos.
Jesus conhecera
este estágio do seu viver, João Baptista o confirmara
quando de seu batismo, visualizando o Eon Crístico, força
Divina e Cósmica que está disponível a todos
que conseguirem essa conexão entre o Aqui e Agora e todo
o sempre.
As lembranças
de tudo aquilo fervilhavam ainda na cabeça de Ale Mohamed,
o qual havia feito uma INICIAÇÃO AO NATURAL que
praticamente lhe consumia toda a existência.
Além
da educação católica que tivera, o fato de
se aperceber disso, entre as florestas e toda a natureza, assim
como entre alguns Mestres que o destino lhe colocara frente a
frente, ele aos poucos foi concluindo que a sua idade ia avançando
e não conseguiria mesmo passar a mensagem do que realmente
seria O AVATAR.
Assim, após
tantos anos de estudos, pesquisas, escritos e documentação,
concluiu que seria talvez um privilegiado, e quem quisesse que
buscasse naquele milênio a resposta mais adequada a si próprio.
Iria concluir
aquele seu trabalho com o maior carinho do mundo, nem se preocupando
mais se teriam 100 ou mais páginas, porque para bom entendedor,
meia palavra basta.
Lembrou-se
de quantos e quantos anos estivera envolvido com várias
histórias que o seu intelecto captara e, graças
a alguns amigos, conseguira ver impresso em papel tudo aquilo
que, ao fim e ao cabo, para ele era tão normal quanto tomar
um copo com água fresca, fosse com as próprias mãos
em uma fonte pura ou no centro de São Paulo em um botequim
qualquer da vida, porque a PUREZA, esta não estava dentro
apenas da Água, mas também em quem a consumia.
Era a mais
sábia explicação para a auto-cura e o afugentar
de todos os males.
Que razão
teria então Ale Mohamed para ficar perambulando pelo mundo
em busca de uma resposta ao que lhe ia n’alma se até
o seu Espírito já lhe havia intuído que muito
dificilmente conseguiria mostrar o que compreendera quando estivera
FORA DE SI, na opinião de muitos?
Era isto!
Sempre fora
considerado FORA DE SI, sempre fora julgado e torturado, sempre
fora maltratado pelos da Terra que não o aceitavam como
ele próprio era.
E, se naquela
ERA ainda não conseguira mostrar que O RELIGARE era desnecessário
para quem viera já LIGADO, a única e verdadeira
razão que tinha seria, sem dúvidas, se preocupar
consigo mesmo e deixar de lado tudo o mais que até então
lhe tomara tanto tempo e nada resultara para quem ele já
havia tantas e tantas vezes explicado, fosse pessoalmente ou à
distância.
Na realidade,
Ale Mohamed, o HOMEM, já não era apenas aquele que
viera de uma família Lusitana, nascido em São Paulo,
na Rua dos Estudantes, no ano de 1945.
Ale Mohamed
era, para si mesmo, um simples ser humano, que não conseguia
mais degustar a comida que lhe ofereciam, pois sentia que ela
não tinha a pureza que o seu SER atingira, pureza esta
que de bom grado ele oferecera a todos os que com ele conviveram,
chegando a ponto de ficar sem nada para satisfazer exigências
intelectuais ou racionais de um povo que estava realmente perdido
e sem rumo.
Naquele dia,
com seus sessenta anos de idade, Ale Mohamed concluíra
que não seria ele, e sabe-se lá quem iria realmente
colaborar com aquele povo que via seus irmãos morrerem
esmagados por terremotos ou maremotos causados por bombas, enviadas
em nome de Deus contra outros povos que viam o seu Deus de outra
maneira que aquela dos que enviavam bombas e mais bombas.
Em meio a
estes dois povos havia crianças e tantas outras pessoas
inocentes que nunca mais veriam a luz do sol, e muito menos ouviriam
um “contador de histórias”.
Ale sabia
que dificilmente compreenderia o que significava tudo aquilo,
mas, se de bilhões de pessoas apenas algumas o conheceram
e o compreenderam, que mais queria ele?
E uma voz
então veio aos seus ouvidos lhe confidenciar: “Nada!”
É verdade,
ele nunca quis nada, apenas conseguiu viver em um mundo que a
chamada humanidade dificilmente viveria novamente.
O Mundo onde
não era necessário Avatar nenhum, pois todos eram
iguais em forma de Luz e de Paz.
O Mundo dos
Atlantes, dos Essênios e dos que antecederam os Essênios,
o mundo dos mundos, onde até mesmo os Astronautas foram
e tiveram uma pequena amostra do quanto O PLANETA TODO JÁ
ESTÁ NO CÉU.
E ninguém
precisa mais morrer para lá chegar.
Ale fechou
seus olhos, respirou profundamente, e pediu pelo mundo dos HOMENS,
em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo, porque afinal
foi assim que aprendeu a ORAR, e somente a oração
poderia salvar a Humanidade.
Quem quisesse
acreditar que acreditasse, quem não quisesse acreditar
que fizesse como bem entendesse.
O importante
é que superar o Intelecto e a própria Razão
significa atingir um estágio de Loucura para uns e de Genialidade
para outros, todavia, atingir O NADA é privilégio
de poucos.
Ermitão
da Picinguaba
2ª Feira da Pasquela 2005 + 7 da Era Cristã
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