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Assim como
chegou ele partiu, sabendo que em todos os desertos havia sempre
uma enorme força que vinha do interior da terra. Esta mesma
força tanto alimentava como simplesmente neutralizava todas
as outras forças chamadas de vida, criando então
algo que ficava entre o antes e o depois, chamado NADA.
Ale Mohamed seguiu sua caminhada noite a dentro, e durante o dia
descansava, pois no Deserto a vida era intensa à noite;
durante o dia ela chegava a cegar ou a iludir os viajantes, mas
a noite, esta sim, era a companheira ideal para quem vivesse em
função das grandes travessias que o Deserto permitia.
Ele nunca entendeu por qual motivo as pessoas tinham pressa em
atravessar aquela imensidão de areia, cactos, sol, estrelas,
vento, cobras e lagartos, fora algo que estava no ar e que poucos
se apercebiam, algo que Ele vivenciara e o fez compreender que
nada, mas nada mesmo é necessário se fazer, nem
mesmo atravessar o Deserto, porque o que tiver que ser já
É, seja no início da caminhada, no meio ou no final
ou no aparente final porque depois do Deserto a
Caminhada continua, muitas vezes muito mais difícil do
que quando se tem apenas sol, areia e estrelas a nos dirigir.
Em um momento da travessia ele se apercebeu que uma ESTRELA dava-lhe
um sinal.
Parou, sentou-se sobre uma duna, observou a estrela a cintilar
com uma variação de cores quase indefinidas, até
que se apercebeu que eram cores entre o AMAR...ELO, LAR...ANJA,
VER...MELHOR... E foi então compreendendo que tinha que
ativar estes chacras, que estavam de alguma forma sem energia,
pela imensa travessia ou porque realmente descuidou-se, mas a
tradução das cores é que tinha tudo a ver
com a MENSAGEM DA ESTRELA.
O VERBO, sempre O VERBO a mostrar a ele, Ale Mohamed, que algo
estava mais do que certo no universo e os humanos por mais que
caminhassem de aviões, a pé, navios ou naves com
tecnologias das mais avançadas, mais se afastavam desta
imensa e saudável verdade: O QUANTO O UNIVERSO ERA TODO
CERTINHO.
Senão vejamos, como seria possível tantos e tantos
planetas, galáxias e estrelas conviverem sem grandes choques,
e na Terra, por qualquer coisinha explodirem guerras pessoais,
sociais, religiosas e planetárias???
Que lógica mais besta esta dos humanos, pensava Ale Mohamed
enquanto fazia os exercícios de respiração,
mentalizando as cores que necessitava para continuar a grande
travessia. Sabia que um dia ainda teria um canto sossegado, no
DESERTO ou em qualquer outro lugar do PLANETA, apenas para colocar
no papel aquelas mensagens todas.
Lembrou-se de uma amiga que trabalhava numa linha aérea
e fazia o CAMINHO DE SANTIAGO DE COMPOSTELA, Monica Pursini. A
imagem dela veio ter a sua frente, sorrindo e dizendo com seu
olhar esverdeado o quanto a peregrinação lhe havia
ensinado que é NO CAMINHO que purificamos todo nosso SER.
Poucas
pessoas conseguiam compreender isto.
Muitas iam e vinham até em encarnações seguidas
mas continuavam sem conseguir a purificação tão
falada e comentada... Afinal, o que faltava?
Nada, disse uma voz dentro dele, nada faltava, tudo estava certíssimo,
como certíssimo estava todo o Universo, apenas havia quem
ainda estava em estado x, y,
ou z... Nada estava fora do lugar, apenas uns não entendiam
as atitudes dos outros, mas também, viverem milhões
de pessoas amontoadas nas cidades, e os Desertos desertos é
que não estava mesmo certo.
Conforto... todos queriam conforto, mas ao fim e ao cabo davam
cabo de qualquer sossego que poderiam ter onde não vivesse
viva alma.

Ale foi adormecendo, adormecendo... e sonhou que vivia em um sótão,
distante das cidades, cercado por um bosque de pinheiros, com
seus cavalos, cães, águias, gatos, pássaros
em profusão e lá distante, bem distante, o Deserto
do Saara a contemplar e a ser contemplado pela ESTRELA que lhe
ensinou a se reenergizar através das cores dos chacras.
Amem, dizia o Anjo que velava pelo seu sono... Quibyr era seu
nome... Do outro lado do sono Epaminondas aguardava que Ale Mohamed
acordasse para continuarem a caminhada, dois Anjos e uma Estrela.
Para que mais???
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