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Hoje
eu quero dar testemunho de partes da minha vida em que agi
de acordo com a minha consciência e com pureza de
intenção.
É
que a minha vida não foi nada fácil, mas,
aos olhos dos outros parece que eu trago algo que é
bom, então vou partilhar o que sinto que fez com
que essa IMAGEM passasse aos outros e voltasse para mim.
Se
calhar será bom para muitos.
Longe
de mim sentir-me melhor que alguém, apenas são
exemplos e vivências que realmente me ajudaram e,
claro, há bem pouco tempo é que eu me apercebi
disto, e lá vão os exemplos:

Nasci
em uma família quatrocentona e logo de cara me apercebi
que os meninos(as) que viviam pelas redondezas eram muito
mais leves, livres e soltos do que nós, seis irmãos,
que tínhamos que seguir aquele ritual da TRADICIONAL
FAMÍLIA PAULISTANA, um misto de Portugueses com Portugueses,
que nem eram portugueses; tinham sido Espanhóis,
se revoltaram e nasceu PORTUGAL, mas sabe-se que a Espanha
era a Bretanha antiga. Então, para não dar
muitas asas à minha imaginação, era
eu já filho de uma TRADICIONAL FAMÍLIA, cuja
Tradição também estava alicerçada
em uma mistura imensa de raças subjugadas pelo que
conquistaram os REIS de antanho. Ora, esta imposição
da TRADIÇÃO nada tinha a ver com a VERDADEIRA
TRADIÇÃO e assim logo de criança eu
sabia que algo não batia bem. Claro, estava na cara!
não via O AMOR, NÃO SENTIA O AMOR, e isto
eu sentia na LIBERDADE dos que viviam em plena Liberdade,
o bairro onde nasci. E eram mais humildes, mais unidos e
mais amados. Isto foi o primeiro sinal... onde eu via realmente
O AMOR... à minha maneira, claro!
Depois
fui para o Liceu Coração de Jesus, e logo
era coroinha, ajudava mais missa do que assistia, e o Padre
Geraldo Leite Cintra sempre gostava que fôsse eu a
ajudar a missa, porque eu tinha algo que nem me apercebia
mas que era bom para o ESPÍRITO DA MISSA, para o
RITUAL, e para o ALTAR. Assim, só depois de muitos
anos eu fui me aperceber que a LUZ HABITAVA MEU CORAÇÃO,
pela pureza das intenções que eu colocava
em tudo o que fazia, incluindo ajudar a Missa.
Depois
fui militar e com 19 anos, apesar de ter sido treinado pelo
PONTO 4, dos EEUU, para transformar-me em um RAMBO e ainda
ser treinado para comandar outros tantos Rambos, me apercebi,
em 1964, que não iria atirar nem perseguir BRASILEIROS
e aí, o que me pareceu uma TORTURA foi a minha contestação
primeira ao que eu NÃO QUERIA MESMO FAZER, e aprendi
a dizer NÃO! COM TODAS AS LETRAS!
Sofri e comi o pão que o diabo amassou mas não
me deixei levar por aqueles que fizeram LAVAGEM CEREBRAL
em muitos que depois até me reencontraram e se consideravam
MASSACRADOS PELO SISTEMA e infelizes por terem feito o que
fizeram, mas, cada alma sua palma. Só eu sei o que
sofri e só eu sei o quanto, mesmo sendo torturado,
consegui ver o meu espirito e a minha ALMA em paz e a minha
consciência tranquila.
Bem, a vida teve que recomeçar novamente e recomecei
carregando caminhões no Cais do Porto, Santos, e
ali me apercebi da União dos Estivadores, me apercebi
o quanto as prostitutas que me recolheram após eu
ter sido torturado nada tinham a ver com o que diziam as
más línguas. Muito pelo contrário,
foram minhas irmãs, minhas amigas e meus anjos da
guarda, protegeram-me e ensinaram-me quanto custa viver
neste mundo caótico e insano, e ali então
fui me recuperando, até que um dia decidi graças
ao convite de Catarina Kabaroff, uma russa descendente de
uma família que também na Russia vivera as
Tradições Czarinas, e que sentiu o meu potencial
de menino homem, de ser humano e de filho de um País
em extrema revolução. Graças a ela
eu recomecei minha vida sem medo de mais nada, aliás,
medo mesmo eu nunca tive, apenas achava que era melhor ficar
distante do foco da chamada DITADURA, e São Paulo,
minha cidade natal era isso mesmo.
Retornei
aos estudos, recomecei minha vida profissional viajando
pelo Brasil, atendendo clientes das grandes empresas, e
foi assim que o COMUNICADOR começou a se aperceber
o quanto quem NUNCA ME VIU confiava imenso em mim e, claro,
graças à tal luz que eu mesmo carregava e
nunca a usava a meu bel prazer mas sempre para os OUTROS.
Assim, durante 29 anos minha vida foi de ENTREGA TOTAL ao
OUTRO, pois assim era a minha forma de entender e vida.
Sem
me aperceber entreguei minha vida à vida e ela foi
colhendo e plantando o que eu ENTREGAVA, claro que o dizer
NÃO foi a CHAVE, e o saber ouvir a hora do SIM foi
a outra chave.
Então,
por um motivo aparentemente invisível, eu fui passar
um final de semana na Vila Piscatória da Picinguaba,
e ali pude me interiorizar, pude decompor meus corpos físico,
cerebral, emocional, espiritual e astral, entrando, depois
de conviver em plena natureza, em uma sintonia que creio
eu nunca mais perdi; e nem sei porque fui merecedor mas,
se fui, sou e continuarei a sê-lo, e isto sim é
o meu tesouro, dar valor ao verdadeiro valor que a eternidade
me entregou.

De
lá para cá são (1979-2006) 27 anos
de um estágio entre o cá e o lá, entre
o Aqui e Agora, entre o Espírito e os outros Corpos,
entre a família genética e a família
terrena que se vai encontrando, entre a família terrena
e a família cósmica que vem ao nosso encontro
e entre eu e você, que a virtualidade me apresentou
e que, claro, está também sendo aos poucos
um ser que vive na união do meu SER, e se assim é,
assim me completa, me anima e me faz mais feliz.
Por
isto tudo eu quero expressar meu agradecimento, porque o
mesmo SER QUE EU SOU eu sempre o fui; várias mudanças
ocorreram na minha aparência mas, no fundo no fundo,
sempre fomos e somos conscientemente capazes de perceber
o que foi bom e o que poderia ter sido melhor; e a pureza
de intenção, esta sim, revela o quanto o equilíbrio
pendeu mais para o lado positivo e saudável do viver.
Se
eu puder continuar assim, ficarei eternamente feliz e, claro,
quem é eternamente feliz faz os outros a sua volta
também felizes, e creio ser este o melhor ensinamento
deste meu viver: eu não posso ser feliz sozinho,
mas sim fazendo outras pessoas felizes, pelo que compreendi
o verdadeiro sentido da felicidade.
Cultive
bem uma semente e ela lhe dará muitas árvores!
Deus
nos abençoe a todos!
ERMITÃO
DA PICINGUABA
12/05/2006
Ilha da Madeira
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