PARTE 1

 

Enquanto girava o Planeta, lá pelas tantas de uma quente manhã matogrossense, onde o fuso horário funde-se com o Sol uma hora a menos que em Brasília, estava ele a imaginar que tinta usaria naquela arte. Já estava ficando chateado com o Ir e Vir sem nada de interessante acontecer. Por diversas vezes havia construído sonhos, o que para ele era mais fácil do que respirar pois para respirar era necessário utilizar vários músculos, o pulmão, duas narinas, a mente que tudo impulsiona e mais o Ar que pesa muito mais do que se possa imaginar.

Os sonhos, ele os construía sempre e todos tinham algo de muito bonito. Detestava sonhos sem cor, sem sons, sem riachos, sem pessoas bonitas, bailes e festas com exposição de quadros, os artistas das diversas áreas ali reunidos, buscando o merecido prêmio pelos seus trabalhos, os grandes investidores, que muitas vezes achavam loucura o que iria se realizar sem dinheiro… é verdade, ele não ligava para o dinheiro e tudo acontecia em seus sonhos… Sabe o que é TUDO? Pois então, aconteciam coisas de cinema, aliás o cinema era o seu forte, escrevia mil enredos com personagens de verdade que tinham tanta vida que parecia ficção. Para suprir uma carência regional, há uns três giros do planeta ao redor do Sol, estava ele quebrando um galho com a rede de Televisão. Costumava dizer:
– "EU TENHO O GLOBO, NÃO PRECISO DA REDE"

Às vezes entrava no estúdio, imaginava a cena, apagava as luzes, fechava os olhos, fazia as respirações básicas que havia conhecido no processo Fisher e Hoffman e voava… Era um vôo leve, sem ruído de motores, sem cinto de segurança, sem asas ou qualquer matéria terrena a equilibrar o que para muitos era o desequilíbrio.
Quando conheceu Chico Mendes no Acre, Acre-ditou que de fato este Planeta girava certinho e mesmo inclinado sua órbita era perfeita, mas alguns tantos que vieram de outros pontos do Universo aceleravam esse giro em Terra e não permitiam os sonhos, as lidas naturais dos que lá haviam Tudo conquistado em outras Eras e nessa queriam nus viver, sem se preocupar com o brilho do ouro nem com o peso das roupas caras e suntuosas dos Castelos Antigos e dos poderosos que oprimiam o povo, seja no Egito, no Sul, no Leste ou no Nordeste. Esse Nordeste não imagine você fosse o do Oceano Atlântico de Oriente para Ocidente, mas o Nordeste Universal, que vai desde um palmo à sua direita, onde está sua aura, até ao infinito. Passando por Vênus, Urano, o Planeta de onde ele viera, Marte, Saturno, os Quazars, as galáxias mais distantes, conforme o seu sentido direcional, às vezes virtualmente sem sentido.
Então utilizava todos os meios que dispunha para realizar seus sonhos.

Lembrou-se, naquela manhã, de quando era menino e resolveu brincar de cinema: O pai, que viajava por todo o mundo em busca de novidades, havia trazido uma câmara e um projetor. Às vezes reuniam-se os familiares e os amigos na mansão do Morro dos Ingleses ou mesmo da Liberdade, onde ele nascera, e era um festival de filmes. Desde O Gordo e o Magro até Walt Disney com Peter Pan e tudo mais… Peter Pan, O Duende, era o que mais lhe chamava a atenção.
O filme que ele iria realizar chamava-se Idinha, uma Ida pequenininha.
Juntou o pessoal da rua São José lá em Tremembé, sentaram-se: Dago, Zeca, Dito, Caio, Esquerdinha, Rascunho, Giba e Totó, o cachorrinho vira-lata preto e branco que vivia entre eles e não era de ninguém, e ao mesmo tempo era de todo o mundo. Quando iam caçar priás Totó parecia até que já sabia e ia à frente da turma em direção à Invernada, enquanto lá atrás vinham os garotos arrumando os estilingues e armadilhas. Era um tempo de ÍNDIO… Índio que voltava às origens, apesar das famílias sempre forçarem a formação colegial, urbana e consumista, aquela turminha de Tremembé e Horto Florestal empregava muito bem a sua energia indo e vindo no Espaço Natureza… Voavam, disso ele tinha plena certeza…
E foi lá que conheceu Idinha, sua primeira namorada! Ela tinha os cabelos castanhos, escuros, longos, caídos até à cintura, a pele morena, esguia, uns 11 anos, e estava com um vestido azul claro quando ele a viu pela primeira vez. Estava na varanda de uma casa toda de madeira, onde um papagaio brincava e Totó, sabe-se lá por quê, entrou na maior sutileza pelas madeiras do portão e sumiu…Totó! Totó! Gritou, mas o vira-lata era livre para tudo e foi entrando. Da varanda ela o olhou com olhos brejeiros e profundos, deixando-o estático, sem respirar. Como era bela! Sentia seu coração pulsar mais e mais forte, que beleza! Quem seria? Como não a havia visto antes? Sua avó morava 4 casas para baixo; diversas vezes iam, de tardezinha, após empinar suas pipas, pegar coquinhos no terreno, bem ali ao lado. Lembrava-se de quando atiravam as bolotas com o bodoque, os coquinhos caíam em profusão e era a maior algazarra para apanhá-los, o que fazia com que sempre saísse alguém naquela mesma varanda e desse a maior "bronca" por causa da barulheira, mas ela nunca aparecera por ali. De onde saíra? Há 13 giros do planeta ao redor do Sol que ele ia passar suas férias ali…
Ela continuou olhando-o e então falou:
-– O Totó é seu?
Engasgou-se, não sabia o que dizer, estava com uma pipa na mão e um bodoque na algibeira, o coração disparou ao ouvi-la... Que voz! Ficou vermelho e cheio de medo…
-– É nosso, da Turma toda! É que estamos indo para a Invernada, e ao passar por aqui ele entrou em seu quintal, desculpe!
-– Nem se preocupe, ele vem sempre aqui…
Mas, como ele nunca a vira, estava encafifado… Quem seria? Como se chamava? E para responder suas perguntas mentais alguém gritou:
-– Menina! - era a voz de uma senhora.
-– O que é, Mãe?
-– Venha para dentro, menina, está na hora de preparar o almoço, já já seu pai chega e a mesa ainda não foi posta! Venha logo menina!
Ela, que parecia uma princesa, arrumar a mesa para o almoço? Que desperdício… pensou.
-– Com licença, preciso ir ajudar minha mãe… Seus olhos brilhavam quando ela despediu-se…
-– Está bem, até logo!
Ela entrou e ele ficou estático no meio da rua, que era de terra. O cheiro da moça continuou no ar. Um cheiro de mato, aroma de vida que o inebriou... Havia alguma distância mas aquele aroma, mistura de seus cabelos e pele, o seu modo de falar, TUDO lhe penetrara as entranhas através dos poros… O que fazer? Fazer o quê na Invernada? Tudo perdera o sentido…
Lá tinha um baita sonho. Um sonho cheio de vida. Ele que era tido como o filho "gênio" em casa, rejeitado em momentos de carinho por causa de sua cor morena que contrastava com as de seus irmãos e irmãs que tinham pele de pêssego e frescuras no trato com as pessoas, ele que não aceitava o fausto dos pais e irmãos, sempre vivia voando, como todo Génio, em seu mundinho de preás, cobaias, carrinho de rolemã feito na oficina do Mário Marsiglia, um calabrez que gostava de corridas de carreteiras, que eram bólidos construídos com a imaginação, bicicleta trocada por ratos brancos, pois nunca ganhara nada, sempre conquistou tudo. Tinha mais sabor, mais história, mais profundidade. A bicicleta era uma Gulliver preta e dourada, aro 28, trocara-a por 26 ratos brancos (sendo uma fêmea adulta já treinada e muito esperta), 25 ratinhos já em desenvolvimento e o "ninho", que sempre fornecia para que eles se multiplicassem, o que aliás parecia praga; quando menos se esperava lá estavam mais seis ou oito filhotes, que mais pareciam salsichas tipo Viena.
A criação começara sem querer, soube que o Instituto Biológico vendia cobaias e ratos brancos. Assim, um dia resolveu ir lá.
Quando vinha de bonde do clube onde nadava, o Banespa, desceu do Bonde no ponto do Instituto Biológico e lá se foi perguntar sobre os ratos brancos. Engraçado, era uma época em que tudo era proibido e ele não estava preocupado com as proibições; preocupava-se, sim, em não se preocupar. O ratinho custou 10 cruzeiros, eram duas notas de cinco, cor de burro quando foge e branco, impressas pela Thomas De La Rue. Apanhou o ratinho, colocou em uma caixa de sapatos que conseguiu em uma sapataria próxima à Vila Mariana e lá se foi com o seu companheiro. Iria lhe ensinar muitas coisas para que ele se tornasse famoso. Durante uns quinze dias tudo correu normalmente, até um dia em que de madrugada ouvira um barulho estranho onde Tico dormia… A luz que o aquecia do frio de São Paulo estava acesa e o "porão" onde ele dormia com suas histórias e sonhos estava silencioso, mas o ruído que saía do caixote onde estava Tico o despertara. Levantou-se pé ante pé e abriu a tampa furada do caixote. Entre a palha, que antes acondicionava garrafas de Champagne e agora era o ninho de Tico, haviam algumas manchas cor de rosa, que mais pareciam salsichas tipo Viena… Aproximou-se mais para ver melhor e Tico deu uma "guinchada" nervosa… Assustou-se duas vezes, uma porque Tico era dócil, e outra porque ao guinchar ele levantou-se e descortinou-se aquela ninhada. Era Tica, e não Tico! Filhotes, aos montes, e agora? Se a Mãe soubesse ia ser um "deus nos acuda"! Já dormia no "porão" porque os irmãos não toleravam seus troféus, brinquedos feitos à mão, quadros inacabados, esculturas sem pé nem cabeça, Diana, a sua cadela vira-latas… enfim… ele parecia ser de outro mundo. E os irmãos, que eram todos cheios de não me toque, não o aceitavam naturalmente, e o remédio foi ele acomodar-se no porão. No fundo, no fundo, ele sabia que era de outro mundo, pois aquelas posturas dos irmãos, do pai e da mãe eram falsas, sem vida natural. Adorava ir ao Horto Florestal, à casa do tio Jarbas, que pintava bicicletas com pincel depois de tomar umas e outras, do que ficar naquele casarão, onde tudo rescendia a falso brilho… Bonito mesmo só a imagem de Dona Silvana, uma preta velha, que pitava cachimbinho com fumo de corda, e cuidou de todos eles desde quando nasceram… Como era simples e bonita aquela imagem!
Era Tica… tentou se aproximar novamente e ela o aceitou desta vez pois o reconhecera… Aos poucos foi aproximando a mão e acariciando-a enquanto ela "lavava" os filhotes recém nascidos… eram 8… Não dormiu mais, passou a noite toda ali, como um médico a acompanhar o Parto.
Os filhotes foram crescendo e sendo distribuídos entre os garotos da rua, até que a ninhada estava grande em demasia e resolvera "negociar" com a Gulliver Preta e dourada. Mais um trunfo na sua história, pois os irmãos ganhavam tudo, não moviam uma palha para conquistar as coisas. Estava já na Invernada, sua pipa dava cabeçadas lá em cima e a sua cabeça estava naquela varanda.

Como era bonita! Várias meninas, tanto na liberdade como no Horto Florestal eram suas amigas. Ele desenhava muito bem e fazia trabalhos da escola para elas, o que lhe rendia uns trocados. Uma delas o havia excitado numa tarde em que fora comer coalhada em sua casa; a mãe havia saído e ela apontou um avião quadrimotor no céu, pela janela do apartamento. Aliás, esse apartamento ficava em um prédio que o avô dele construíra, o primeiro edifício do bairro da Liberdade. A aproximação dela, com seu corpo roliço de 15 anos, shorts e cabelos louros, o excitou bastante, ela parecia perceber quando ele encostou seu pinto em sua bundinha rechonchuda, que quase saltava do shorts curtinho e justo… o avião subindo, os dois espremidos entre o sofá e a janela…
-– Viu? É um quadrimotor, desses Constelation da PANAIR.
O calor foi subindo pelo seu corpo, o desejo de lhe beijar o pescoço e os cabelos, eles ficaram ali vendo o avião subir, subir, até sumir… bem encostadinhos…
-– Viu? Viu? Viu?
-– Vi - respondeu cheio de emoção, e tesão - …se vi!
Aquela coceirinha gostosa tomou conta de seu pintinho, de seu corpo todo, estava até ficando meio tonto de tanta excitação…
-–
E a coalhada?
Ela sorriu, um sorriso malicioso… você viu?…Vi! Grande, não?
-– É! Entrou rebolando na cozinha e voltou com duas cuias de coalhada.
-– Você quer com açúcar ou mel?
-– Mel!
Voltou rebolando… A coalhada descia e aliviava aquela sensação… os primeiros sintomas da puberdade, o tesão, a atração sexual… Ela era muito bonita, loura, pele de pêssego, mignon, olhos esverdeados, um TESÃO! Como se costuma dizer hoje em dia. A mãe era desquitada e tinha fama de mulher da vida… coitada… A moça, com apenas 15 anos, ficava sozinha em casa… Era o ano de 1956, imagine a cena… tudo proibido! …menos comer coalhada. Um dia resolveu que não ia ficar na coalhada.
Ela tocava piano, de ouvido, recebeu uma carta cheia de desenhos e figuras com texto e tudo… "CONVITE".

" CONVITE "

Convido a Srta. a participar das filmagens da nova produção:
"TAGUÁ, A RUA DOS SONHOS DE LIBERDADE".
Haverá apresentação de peças musicais apresentadas pela
digníssima dama musicista, peças estas que farão parte
de nossa nova produção cinematográfica.

Ela recebeu o convite com olhos sonhadores e brilhantes:
-– Mamãe, mamãe, eu vou participar de um filme… vou ser a atriz principal… concertista… olha o convite, mamãe.
A Mãe saíra do chuveiro, estava com uma toalha enrolada na cabeça. Alta, pele clara, pernas bonitas, um chinelo de salto, os joelhos à mostra, um robe azul claro, pernas bonitas e longas, olhos azuis contrastavam com o robe.
-– O que aconteceu, menina? Viu passarinho verde?
-– Não mamãe, estou sendo convidada para participar da filmagem que se realizará aqui em São Paulo, no nosso bairro da Liberdade… é sobre a rua Taguá onde tem aquela chácara e os japoneses… já pensou, mamãe?
A mãe olhou o convite artesanal, olhou por sobre as lentes dos óculos, que colocara e disse:
-– Quando e onde vai ser?
-– Não sei, eles devem comunicar logo logo a data.
-– Está bem, agora eu vou me arrumar, que tenho encontro com sua tia lá no MAPPIN.
Essas saídas eram constantes… Todas as tardes ela saía e quando isso acontecia ficava muito triste, quando não, a mãe ficava em casa e só saía à noite. A menina então ficava totalmente só… Os meninos da rua viviam querendo alguma coisa com ela, mas não saía de casa a não ser para ir ao colégio, onde se dedicava muito, pois gostava de estudar. As freiras do colégio São José às vezes davam festas para mostrar o trabalho que desenvolviam e lá iam os pais, as mães, os irmãos… Em uma dessas festas ela tocou piano "de ouvido" e deu um show com sua música predileta "SUPLÍCIO DE UMA SAUDADE" e "MAMÃE", pois era o dia das Mães. Ele já a ouvira tocar diversas vezes quando ia à sua casa "comer coalhada".
Após ter enviado o convite, arrumou uma desculpa e foi ao apartamento. Era no último andar, de escadas em mármore; chegou lá em cima, ela prontamente abriu a porta:
-– Oi, como vai? Entra, minha mãe está dormindo ainda!
-– Não, eu só vim saber se não tem nenhum problema a produção do filme, contar com a sua participação, e se tem algum trabalho da escola para desenhar.
-– Entra! Deixa de cerimônias… E pegando em sua mão enfiou-o para dentro da sala.
Foram para a cozinha, onde um louro ficava a espicaçar um monte de sementes de girassol.
-– Bom dia! Currupaco! Oi dona Chiquita! bom dia, Silvanaaaaa! Tá na hora, currupaco, arara real! Como vai, como vai, como vai, como vai, vai, vai!
Enquanto o louro falava ela foi ao quartinho apanhar uns livros. Ele ficara sentado, um pouco preocupado, se a mãe dela acordasse, seria um "deus nos acuda"!
Ela voltou com um livro de Júlio Verne, VIAGEM AO FUNDO DO MAR.
-– Preciso fazer um trabalho sobre esse livro e o desenho dessas Naves Espaciais, justamente para demonstrar quem foi Júlio Verne. Você faria? Quanto custa? Quando vai ficar pronto?
-– Aparentemente esse trabalho não será difícil, pois a capa do livro representa muito bem as aventuras de Júlio Verne… eu vou fazer o trabalho para você, não se preocupe! Você recebeu o convite sobre a filmagem?
-– Recebi. Você também?
-– Nós recebemos, pois o Liceu Coração de Jesus vai passar o filme, no dia de Páscoa e eu fui escolhido para "dirigir". É uma produção do Júlio Mazzeto que também tem todo equipamento. Serão duas câmaras, toda iluminação cenário natural, pois são cenas ao vivo na rua Taguá e na chácara do "Seu" Mané e você tocando piano ficará muito bem. Virá inclusive o Maestro Carezzato para orientar a trilha sonora.
Ela o olhava toda admirada.
-– Puxa! Como você entende do assunto, tão menino ainda! Acho que se você ler Júlio Verne levanta vôo.
-– Eu li a coleção inteira quando fiquei doente.
-– Já?! Então é isso! Que mais você leu?
-– Ih! Como eu tive que ficar 6 meses de cama com nefrite, eu li desde "O TESOURO DA JUVENTUDE" até CASA DE PENSÃO, O CORTIÇO, OS MISERÁVEIS, MEMÓRIAS DO CÁRCERE, OS LUSÍADAS, DOM QUIXOTE, enfim… a Biblioteca quase toda, inclusive o LELLO UNIVERSAL.
-– Menino! Seu pai deixou? É muita coisa o que você leu, não se impressionou? Será que você já estava preparado para ler tudo isso? estava? …e o seu olhar angelical e malicioso ao mesmo tempo tomava conta daquele rosto suave como pêssego.
-– Sabe como é, seis meses de cama, sem direito a nada, os pais sempre se preocupam e deixam a gente fazer o que gosta… entende? Eu não vejo nada demais, inclusive na Televisão. O outro dia passou o John Herbert e a Eva Wilma se beijando, você viu? Foi no "Alô doçura", que beijo! Você viu?
-– Não…
-– Foi um beijo de cinema, longo e cheio de carícias, amor mesmo! Incrível!
As mãos dela automaticamente tocaram as dele…ele sentiu o calor subir novamente …os pés delicados tocaram suas pernas que usavam calças curtas e ficavam desnudas… foram subindo… subia tudo, subindo, subindo… as mãos se encontrando, os olhares em brasa, ela bem mais do que ele querendo, ele querendo, mas temeroso, a Mãe dormindo… Querendo o quê? O beijo de cinema? E então resolveram sair da mesa, ir até à geladeira apanhar coalhada… A porta abriu… a luz fria abraçou os dois, que estavam coladinhos… dessa vez ela usava um baby-doll transparente e curto… O seu pinto ficou duro que parecia estourar… ela sentia aquele volume e com sua delicada mão de pianista o tocou, virou-se com a outra mão ocupada com a coalhada e o beijou… Um beijo quente, meigo, perfumado, os seios cor de rosa a tocar seu corpo de 13 anos, seios empinados, durinhos, sedutores… Quando ele inebriado começou a abraçá-la mais forte, mais ousado, ela soltou-se dele.
-– Não, minha mãe está dormindo!…

Voltaram à Terra…sentaram-se trémulos à mesa da sala, começaram a comer a coalhada e a sorrir… um sorriso maroto, cheio de malícia e vida! 15 anos e 13 anos... Sempre que ia ali, sabia que um dia algo ia acontecer… a garganta ainda não estava toda normal, algo a entalava, a coalhada não descia, tudo ainda girava… que sensação!!!
-– Minha filha!!!
Era a Mãe que acabara de acordar!
-– Que foi, mamãe?
-– Quem está aí?
Antes que ele tivesse tempo de pensar ou piscar os olhos, ela respondeu:
-– É o filho da Dona Mariana, veio para a gente estudar a matéria sobre Júlio Verne que a professora de História, Dona Raquel, passou; ele vai ajudar-me a fazer os desenhos que valem nota na prova.
-– Traga-me a jarra de água filtrada e café com torradas.
-– Já vou!
-– Vou embora!
-– Não, fique aí! Mamãe só sai da cama às 11h30, você é da casa…
Ficou receoso de tomar "bronca". Ela levantou-se, foi à cozinha, voltou com uma calça Lee, que vestira na Lavandaria e uma blusa do colégio… Ele sorriu... já pensou se a mãe os visse? ela de baby-doll?… Foi embora depois de combinarem a filmagem no "Estúdio", com ela ao piano. Seria um dia de semana à tarde, quando a mãe não estivesse, para evitar interrupções nas cenas e falas. Combinaram tudo direitinho. Ele levou o livro de Júlio Verne e despediu-se. Ao tocar sua mão ela o puxou na porta do último andar e beijou-o novamente… Tchau! Ele desceu as escadas como se flutuasse. Ela parecia uma Deusa em seus pensamentos… Que gostoso! Que gostosa! Que sensação! Tesão! Para ele era lindo, belo, suave, eterno, sensação de vôo, de nave, nada disso de sacanagem... tinha tesão, mas era bom demais para ser vulgar… Chegou em casa, entrou em seu mundinho, sentia o calor de seus lábios em sua boca, trancou a porta do porão, revirou um monte de revistas antigas e encontrou o que procurava… uma revista que encontrara em um sebo onde só tinha mulher nua…Todas elas com poses clássicas, deliciosas, americanas, norueguesas, francesas, sexys, muito sexys… colocou o abajour mais próximo de onde se deitara, tirou as calças curtas, imaginou-a à frente, de baby-boll…Abria a revista, toda colorida, página por página, do fim para o começo, do começo para o fim… ia e vinha… esquentou todo seu mundinho… adormeceu com ela dançando em seus sonhos, só de baby-doll… ali no porão, que estava todo enfeitado para ela…

 

Voltar para O Planeta Exterminador
www.ermitaodapicinguaba.com
© 2004