Flora,
Flora, Flora, ah madrinha Flora! Em amarelo retinto trazendo
da Terra esse brilho que se encerra nesse orgasmo Natural
que por raízes invisíveis embeleza o PANTANAL.
FLORA
FAUNA
Trindade
da ecologia, a Flora, a Fauna e os Ninhos a Vadiar, a
invadir, a Unir. Filhotes emplumados sob peitos adornados.
Trindade da Natureza em duas páginas de couchê.
Ah!!! Trindade, Trindade
o cio do macho buscado
pela fêmea e o vôo dos filhotes a seguir rio
abaixo
nuvem, direção Mar! Trindade,
Trindade, sois a criação nas páginas
da vida, sois a emoção em DEUS nunca dividida
Sempre Unindo e Unida.
PÁSSAROS
VOADORES!
Intrépidos
buscadores, suaves voadores
tranqüilos ninhadores.
E em meio a tantas dores o Efeito dos Amores, das Ilhas
em ramos e dos ramos em Ilhas Espaciais. Que lindo, que
belo, que elegante o vôo dos animais
Animai-vos!
À frente da gente tem sempre mais, muito mais
sonhos líricos e Real Idade dos Deuses Naturais.
VEADO
PANTANEIRO
Lá
no meio é ele a banhar-se e elas a acarinhar sua
manta cor de mel. Galhada em direção Céu.
Patas entre os lodos energizando toda sua animal Realeza.
Enquanto guardiãs invisíveis zelam entre
as margens o banho. Peito na água do Veado Pantaneiro
que vem dia a dia crescendo e segue, Crê sendo
vi vendo
OS
PANTANEIROS
Ferro
de marcar, menino jovem, jovem menino, laço com
breu, com sebo, com braço de aço, mãos
sem anéis, anéis de couro a laçar
o touro e tudo o que for de laçar, com a energia
do solo, sem o terror ou temor. Solistas Pantaneiros a
cercar com a raça do Nelore, toda raça.
E o cavalo Pantaneiro ausente à cena e à
imagem do jovem e do menino diz: "Na água
sou mesmo Forte, sou ousado Garanhão que empino,
laçar ao boi ensino ao menino."
ENCHENTE
Enchente
gente
enchente!!! e lá vem a água
que sabe-se lá de onde veio. Inunda, abunda, enriquece,
assim como no Egito o Rio Nilo Sagrado, aqui o Pantanal
meio de vida, Riqueza, Património que o trem leva
em comboios e o canoeiro em pau vazado
estradas
da vida a esperar enchente
enchente
Estrela
Cadente que vem, levando para o outro lado a água.
Estrela que na boléia do caminhão no asfalto,
ilumina o motorista. Aqui no Pantanal essa estrela vai
chegar e quando o Diesel explodir, pela estrada do crescer
o Homem Pantaneiro descobrirá pela estrada de terra
ou asfalto o IR e o VIR
Seco, sem enchente, com
rodas que giram e o afasta da origem para o devolver original
criativo
crescente
ativo
vivo!!! Forte.
Estrela, esse da enchente é o maior motivo. E o
vagão inundado locomotiva. Loco
Motiva...
EM
TARDE SER
Entardecer
remo descansa
lança disfarçada, mente
aberta, mente Amada
relógio no pulso marcando
o impulso da sensação do fato
da foto
lembrança de criança de Ancião que
sem rede amarra os buracos do viver e deixa foto registrar
mais um pescador e se purificar esperando dorso nú,
pés no chão, a noite Amada chegar
o dia novo nascer
MESTIÇO
Olha
desconfiado, no peito muita fé, o mestiço
isolado em seu pau a pique a sapê
a objetiva
fotografa e Ele, olhos semi-cerrados, desafia o objetivo,
ser maior do que ser escravizado nessa senzala fotográfica
que rebusca o seu Universo
desafia
fica só
confia
está com a mãe Maior
só
bem só
LAVADEIRAS
Tábua
de limo escorregadio, roupa que lava o suor n'água
da praia. Molhadas as pernas, molhada a saia, molhado
o molhe da roupa, molhada a mulher por inteiro, ventre
de filho a vir
sabão de banha a limpar a
alma da roupa em manhã tão calma de um novo
dia a nascer.
CIDADES
Cidades
à beira rio, Igreja fio a pavio, luzes dessa ribalta
que aos nossos olhos sobressalta
Torre alta
raiz baixa
enchente
cidade
centro de
concreto onde mora uma parte da gente
e o crepúsculo
a anunciar a cor do Amor
água pé
sem flor
cidade, antiga vila
beira de rio
Dezembro, Janeiro, Primavera, Verão, Outono, Inverno,
cidades
quantas serão? Cidades quantas virão?
Se Deus assim quer, assim será
cidades e
mais cidades à beira dos rios, os rios a iluminar
E o Forte de Coimbra Portugal a lembrar.
MENINO,
MÃE, PAI
Lá
vai o menino canoa a ninar, lá vai a Mãe
o meio a gerar, lá vai o Pai remo de leme
Negro Azul, mestiça, água pé, água
azul
gente encanoada, gente abençoada, transpirante
instante do ir
remos
paus
paus
remos e dizem os três
Pai, Filho e Espírito
Materno
é só isso Senhor, só
isso o que queremos
por isso é que vivemos
ARTESANATO
O
barro virou artesanato, a vida virou forma
Ar, Tesão
Respiração
Inspiração
GAÚCHO
Suga
moço, suga o mate verde e quente Pantanal. Sonha
Gaúcho, sonha, na sobriedade do Tereré e
no chifre do boi que se foi, a Paz de bomba na mão
Suga Moço, suga
livra seu rosto da
da ruga
VÓ,
MENINO
GALO!
Vó
com Pilão
soquete na mão. Neto afeto,
janela larga, Pantanal, Lar, Afeto. E a vida a socar em
paus furados o que se irá farinhar
vó
neto
Amor bem certo, bem perto
Céu
a descoberto
galinha
galo
fubá
é hora, é hora, venha galo cantar
GAIOLA
EMBARCAÇÃO
Segue
a gaiola a subir, com ruído de motor, o movimento
do calado
calado de embarcação, que
cala a criação, que embala as águas
Pantaneiras e cria tapetes mágicos e voar às
linhas verdadeiras. Sonha, sonha o Turista e o barulho
do motor ao Tuiuiú leva o mantra do Mar
E as lagoas vão nascendo, no transbordar das águas
e das mágoas salgadas tal qual transpirantes instantes
sabor Mar
transpiração
enquanto
seus meandros de água vão e vêm em
vôos de pirilampos a entardecer o nascer
PALAFITAS
Palafitas
inundadas, coloridos disfarçando a dor do tudo
Perder e o que fazer? Progresso ou sucesso? Dúvidas
para quê? Ilumina Deus nosso caminho onde vamos
fazer nossa casa, nosso lar, nosso ninho de gente? As
águas vão voltar e ninguém, ninguém
tem onde morar. Palafitas Fitas Palas, queques, divisas,
e vem o que for em nome do Amor dar um jeito de gente
para a gente que tem a vida e sabe que é dura a
Enchente
ORQUÍDEAS
Azul
entremeado de Amarelo, misturado ao Vegetal, ao Animal
Voador, ao Peixe devorador, que assanha sua fileira de
dentes desprezando os Homens e acreditando em Duendes.
Deuses Pantaneiros, Deuses Universais. É lindo
ver os Deuses com seus tinteiros tingindo, vivificando
e criando lenta e naturalmente a Cartografia do Pantanal,
onde estrelas voadoras são brancos pontículos
a brilhar, a voar, a fazer o Bicho Homem sonhar
só sonhar
SOL!
Bom
dia meu amigo Sol, eu quero te cumprimentar, diz o pescador
canoeiro e o Sol que se alimenta de energia o energiza,
enraíza
eleva ao céu, abelha sugando
o mel
remo n'água peixe d'água
entre Sol e faça a vida da gente mais viva
A Cor Dando
A Cor Dar Sol
É assim Natural
O PANTANAL Pantaneiro Sol, Nosso Deus verdadeiro e belo
por inteiro, sempre no Pantanal de Janeiro a Janeiro.
GARÇA
BRANCA
Solitária
Garça Branca que suas asas abre, abrindo o coração.
Sois a pureza do belo, sois o Branco da Razão.
Sois assim tão aberta e tão certa como a
Lua em noite descoberta. Sois a Garça que traz
em seu voar a lembrança do Nascer, a lembrança,
só a lembrança que um dia fui você!!!
INUNDOU
O PANTANAL!
Inundou
o Pantanal, Pleonasmo visual das águas que lá
já estão, Ilha, Ilhota, Filha, filhota.
Tudo que dali não é inunda, e fica o Sol
esperando. Venha Gente, venha ver esse verde
verde
escuro d'água que invade a terra que resta e depois
que ela baixa energiza e deixa à Terra tudo que
O HOMEM precisa. Eita tempo de enchente, que vem e assusta
a gente, eita tempo que na vazante fazia essa gente achar
a pequenez de si, a que inundava e não dava
e não dava
e não dava
é
pouca gente e muita água
venha gente, venha
zelar pelo Pantanal, porque o Progreso vertente é
quem vai aos poucos fazendo a enchente não mais
assustar
e assim a gente não mais vai fugir
da enchente
venha gente, venha
a Montanha
se escondeu, a água vem lá de cima levando
para o oceano o mundo que já morreu
Pacífico
Oceano agitado
viva gente viva!!! No giro desse
Planeta, Deus o Homem escolheu
e O HOMEM AMA DEUS!!!
Por isso, dizer Adeus não é motivo só
meu
Há Deus!!!
O
PÁSSARO E A CERCA
E
você que vai até à cerca o seu pescoço
roçar, cercado o Pantanal, cercado. Esse mesmo
é um pecado que a Deusa Natureza nunca vai perdoar,
pois a Deusa criação não merece,
não cresce em onde a cercam
em onde a invadem
em quem só tem a certeza de Ser Teza a Natureza
de ser incerta a hora certa que faz roçar o pescoço
do pássaro, que o Aço vai desafiar