Canoas de Picinguaba - foto de Carlos Castro gentilmente cedida para este site
Vila Piscatória de Picinguaba - Foto de Carlos Castro

 

 

Parte 1

 

Cuidou dele, de Gabriela e, à distância, do seu filho André Luís e das pessoas que se amavam… quem não se ama, não tem o dom de Amar…
E se ficasse o resto da vida se preocupando com a Humana IDADE? Envelheceria Feliz.

Naquele dia ele acordara com uma "super" disposição de sair, de ir até o centro da cidade que um dia o viu tomar um copo com água para matar a fome, a mesma cidade onde pela última vez ele vira Denise, a Jornalista que tanto o admirou e à sua história. A mesma cidade onde ele e Gabriela iriam iniciar seus planos para seguir "viagem", voltariam para URÂNIA, "O PLANETA HORTO".

Ela não via a hora de aprender todas as "dicas", de sentir-se livre de tudo e de todos, como ele que tantas vezes fora criticado por nada fazer em prol da "ARTE"… aquela Arte que cobra, que precisa de "VERBA" e não de Verbo…

Ora, quem eram eles para influenciá-lo?

Quantas vezes estivera sentado em um boteco tomando sua cerveja e observando a multidão? Quantas vezes ao beber excessivamente começara a cantar e, ao ser aplaudido, percebera que eles estavam aplaudindo o tom de voz, a matéria e não a mensagem da letra que ele acabara de fazer na hora? E quantas vezes o taxaram de "gay" por não querer fazer sexo? Fazia Amor, sofria e não dizia nada.

Deixou Cuiabá para trás justamente por perceber que quanto mais primitivo que fosse um povo, ao se envolver com o sistema, com o OURO, ele se transformava, tornando-se sem raízes, sem folclore, sem história para contar, e o pior de tudo é que se transformava no inimigo número um de si próprio, pois seus átomos não concebiam suas atitudes, mas eles continuavam a bater na mesma tecla.
Boçais travestidos de seda e sem a Arte de viver, Oligarquias que só corrompiam, como aqueles que "venderam" o MATO GROSSO aos gringos… Como poderia se permitir fazer alguma coisa por quem nada queria ouvir?

Nunca escrevia a não ser em botequins ou quando esteve em Picinguaba. Se escrevesse daria um baita de um livro onde a tônica máxima seria o AMOR sem penetração, o AMOR que Gaby conhecera e que vivenciaria sabe-se lá por quanto tempo… Pelos olhos ele sabia se alguém merecia ou não um "bilhete" seu e os que recebiam, fossem homens ou mulheres, se abestavam de tanta sensibilidade.

Houve quem acreditou muito em sua criatividade e por isso chegou a Diretor de Criação da maior emissora do país. E daí? Queriam que ele criasse para fazer dinheiro e não para fazer AMOR… UTOPIA? Nisso ele já tinha prática, era utópico para os humanóides mas não para todos, pois muitos que o conheceram durante mais de vinte anos sabiam que ele nunca mudara, era perfeita a forma como vivera sem contratos, sem honorários, sem se preocupar com a "grana" e vivendo melhor do que os que se diziam ricos e nem sabiam sua origem… Berço de ouro

Era como São Francisco de Assis, largara tudo e saiu pelo mundo vendo o que não vendia e que todos se vendiam…

 

 

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